Dreyfus, Madiba? Nem Nem Outro. Lula. Lula do Brasil.

Fonte: FUPAssunto mais comentado, nos portais de direita e nos blogues de esquerda, a eventual prisão de Luiz Inácio Lula da Silva tem dominado a tônica aqui e algures, não se discutindo o fato, e sim o quando. Depois dos últimos episódios de violação de todos os preceitos mais elementares do Direito, no Brasil, há de se convir que todo este pesadelo é plausível. Não vivemos mais um Estado de Direito.Vivemos um verdadeiro Estado Macarthista. “Warfare“, ‘Estado de Direito do Inimigo’.
Os próprios atos falhos dos golpistas, os escamoteados e os ostensivos, não dão margem a que se pense o contrário. Há poucos dias, Temer, o preposto da banca, o Breve, disse que lutaria pela reconstitucionalização do país (?). Bom, considere-se difícil, tal empreitada, não tão-somente por não poder ou dever ser feita pelos violadores bom como pela profundidade das lesões perpetradas contra a soberania do país, da indústria pesada e, por óbvio, do defunto Ordenamento Jurídico.

Remarcável como a metrópole, o Império, trata aos seus mandatários e como a elite local destrata os seus. Lá, eles se transformam em ‘monstros sagrados’; aqui também, mas sem o sagrados. Somente monstros, se forem de orientação de esquerda ou mesmo social-democratas.
Aliás, sempre que um social-democrata (aqui chamado de populista pela imprensa udenista) galga o poder, no Brasil, é infamado e deposto, não importam os meios. Primeiro, faz-se sua satanização, não é difícil, pois o brasileiro mediano não entende de política e é bastante avesso a esta, tornando bem fácil chamar um social-democrata de “bolivariano”, como se isto fosse, em si, uma mácula.

Impossível ver a história, o calvário pelo qual passa o grande líder político brasileiro e não traçar um paralelo histórico com Dreyfus, o judeu francês ou com Rolihlahla Mandela. Ambos sofreram, a exemplo de Lula, toda sorte de opressão estatal e foram, a seus devidos tempos, o inimigo a ser combatido, em nome da ‘purificação ideológica’ nacional.

Dreyfus, 1935, ano de sua morte. WikiPedia

Com relação ao Caso Dreyfus, o Brasil reproduziu, com pouco mais de um século, um dos maiores erros jurídicos contra um filho seu (aqui, nem discutamos a famigerada auto-anistia que a elite local inventou, a anulação do Julgamento de Carandiru e nem os casos de Genoíno, que entrou no processo para fechar um número macabro, cabalístico, e José Dirceu, que, mesmo após a elite admitir que ele não é o JD de um documento incriminador, continua preso), em nome de limpeza ideológica. Podemos dizer tudo, da elite brasileira, menos de ser atual, tempestiva.
Naqueles idos, não havia PowerPoint, mas havia lata de lixo, claro, ou seja, já havia maldade, afinal, esta começou com os humanoides, e engenharia social, idem.
Aos que anseiam pela prisão de Lula, lembro que na rica e culta Paris do Século XIX também se desejava a morte e ou a prisão de todos os judeus; o que viesse primeiro.
Quanto a Mandela, sabe-se bem mais, acredita-se; da sua prisão em Rivônia. Da sua prisão em Robben, depois em outras unidades prisionais. Um martírio de vinte e sete anos. Até se tornar o ícone de seu país, mesmo antes de sua morte.

Mandela, prisioneiro em seu próprio país. Robben, Pollsmoor e Victor Verster, quebrando pedras. Graças à CIA, sempre eles, foi possível localizá-lo, já em 1962.
Dreyfus, Ilha do Diabo.

Mandela. Fonte: WikiPediaPara onde levarão Lula, o nosso Dreyfus temporão? O Madiba? Para Guantanamoro, Curitiba?
Estará o pessoal especializado em PowerPoint, Hegel, Engels, numa mistura improvável, preparado para cuidar do nosso inimigo número 1? Estará este pessoal multidisciplinar e ainda com conexão direta com o Criador, preparado para não exceder a guarda do preso mais valioso do Brasil?
E os que anseiam pela prisão de Lula, pensam, por acaso, que este é o limite? Que o Estado de Exceção não alcançará pessoas com envergadura política menor; que estamos seguros? Qual o limite? Após a catarse da prisão do inimigo, precisarão de mais “Soma”, catarse, ou é o bastante?
Como lidarão, os procuradores messiânicos, os juízes antijurídicos, com o fim do Estado Federativo, laico?
Estarão eles preparados para o pós-prisão e para a criação de um mártir? Por ora, apenas um grande líder. Mas, dependendo do porvir, pode-se ter um novo Getúlio, quando se queria justo o contrário.

Por fim, lembrar que aos vilipendiadores do Estado de Direito não resta nada a não ser lutar, retorcer, curvar, para tornar menos inverossímil o estado de torpor e de violência estatal.
Lembrá-los de que eles nada podem fazer a não ser cumprir seus podres trabalhos contra o país, contra a Constituição, contra a indústria pesada brasileira. Só podem destruir. Ao iconoclasta, que, em rigor, é um invejoso, só resta destruir o ídolo, a obra, os seus rastros.
A eles jamais será conferida a insígnia de ícone, símbolo, orgulho. Farão sua faina desditosa. Receberão seus trinta e tantos dinheiros. Mas não vencerão. Pelo contrário, sucumbirão ao maior dos pecados capitais. Homúnculos. Vis. Odiosos.
Não entendem, posto que cegos de ciúme, que Lula é bem maior do que eles. Todos juntos.
Lula já é o maior brasileiro de todos os tempos. De algum modo, eles compartilham desta ideia. Mas a obcecação lhes embota a razão, como um véu. Por mais isolados que pareçam, estes senhores executores do regime de exceção não podem vislumbrar uma prisão sem consequências. Na França, o Caso Dreyfus apressou, e muito, a queda de todos os arroubos monarquistas. Na África do Sul, o regime enfraqueceu e há muito mais liberdade.
Aqui, o que vai sair deste arbítrio?

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3 comentários sobre “Dreyfus, Madiba? Nem Nem Outro. Lula. Lula do Brasil.

  1. Bom dia, Morvan!

    Após a leitura deste, excelente artigo, não posso deixar de dizer, aqui, o quanto sou tomada de súbito (Temo) pelo imponderável. Desde a aprovação do Impedimento de Dilma Rousseff no Senado, esse mesmo medo, vem me acompanhando, ele chega sorrateiramente. Isso, após cada divulgação de episódios divulgados dos espúrios Temerários, agora, pela possível prisão de Lula. Mas, Temo não só pelo grande Estadista, mas por todos nós, também! É como se eles estivessem, novamente, institucionalizando as manobras, assim como foi o impeachment. Uma estratégia que combinam aspectos de radicalização e espetacularização, inclusive, ou seja, eles podem tudo? E a gente? Continuaremos na letargia? Desprovidos dos mais elementares direitos, por vinte anos? Os interesses são vários, sabemos, porém essa manobra parlamentar, midiática e judiciária por meios injustos, mostra ao povo (sem querer) que eles também nos ensinam um aprendizado maior: Que só a Luta Muda a Vida! Será inevitável o confronto, já o vejo de norte a sul. Não só de fato irá acontecer, mas já vislumbro as ruas sendo tomadas pelos estudantes e por toda setores progressistas contra a prisão do grande líder, mas pela entrega do Pré-sal, pelo congelamento por vinte anos dos direitos trabalhistas, pelo a ataque à saúde e à educação, pelo não pagamento da dívida pública e outros, muitos, que porventura aparecerão no decorrer neste Estado que não nos representa.

    1. Bom dia.
      Tânia (17 de outubro de 2016 às 08:25):

      … quanto sou tomada de súbito (Temo) pelo imponderável. Desde a aprovação do Impedimento de Dilma Rousseff no Senado, esse mesmo medo, vem me acompanhando, ele chega sorrateiramente. Isso, após cada divulgação de episódios divulgados dos espúrios Temerários, agora, pela possível prisão de Lula. Mas, Temo não só pelo grande Estadista, mas por todos nós, também! É como se eles estivessem, novamente, institucionalizando as manobras, assim como foi o impeachment … eles podem tudo? E a gente? Continuaremos na letargia?…

      Tânia, obrigado. Medo todos temos, afinal, já conhecemos a história deste país. Sabemos que o discurso da corrupção (do inimigo) funciona. Não podemos é ser paralisados por ele. Precisamos fazer como o próprio Lula, que já anunciou que resistirá, e aqui. Não vai fugir. Concordo. A luta é aqui. Resistir. Eleger Lula, com ou sem Moro[ns].

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