As Instituições Estão Funcionando — Na Turquia

Romanos, de Ontem e de HojeAs peças do tabuleiro do recente jogo da geopolítica começam a se mexer e alguns jogadores, entre a estupefação, o atropelo e as declarações Ad Hoc começam a se rearrumar, acusando ou não o golpe (sem trocadilho).
Os Estados Unidos, depois de Roma, de longe os maiores conspiradores e seus herdeiros mais fiéis, o fascio que deu certo, silenciam sobre o golpe no Brasil, posto que seus maiores beneficiários, de olho no Pré-Sal e nas imensas oportunidades criadas pela demolição da estrutura da mega-indústria brasileira, um dos objetivos da Lava Jato (o outro é proscrever o PT, claro, ainda não consumado), afinal, aqui, “as Instituições estão funcionando“; já na Turquia, onde até mesmo não se descarte um autogolpe, nos moldes da pantomima de 2001, veja análise Aqui, por Pepe Escobar, no GGN) , mesmo que só depois de ver o rescaldo, com Erdogan sufocando o “levante”, ou seja, até nisto são pragmáticos, sabendo, sempre, escolher os amigos do “eixo do bem”, seja lá o que isso signifique, declararam, por fim, “apoio ao governo democraticamente eleito” (aqui, não houve apoio ao Governo democraticamente eleito e como o silêncio fala…).

Os E. U. A. colhem, paulatinamente, os frutos das “instituições funcionando”, no Brasil. Pré-Sal, Estado desmantelado, sem qualquer capacidade de desenvolvimento, sem apresentar, nem de longe, qualquer ameaças às suas “oportunidades”, não representando, ora, o perigo temido por eles e que, nas palavras de Kissinger, “…Um Novo Japão ao Sul do Equador“.
Aqui, a eterna guerra contra a corrupção (de parte do espectro político; da outra parte, pode…). Na Turquia, os insurgentes também estavam golpeando pelo propósito de “reinstituir a ordem constitucional, a democracia, os direitos humanos e as liberdades”. Pausa para me emocionar. Lindo. Ironia posta, voltemos.

Neste tabuleiro turco, os E. U. A. têm que tomar cuidado, pois o lado vencedor, não só por saber, de antemão, o ‘jogo jogado’, mas por ter agenda diferente dos manipuladores estadunidenses, podem estar aplicando um golpe de mestre na geopolítica eurasiana. Eles podem colher dividendos aziagos, se Erdogan levar avante, e parece que o fará, seu ideal de dividir para conquistar e ‘unir’, mesmo, pasmem, via Redes Sociais, quando apropriado.
De longe, a Turquia deu uma importante lição ao Brasil (também uma boa tripudiada, afinal, eles não são uma “republiqueta da América do Sul“, nas palavras de um dos seus representantes, mas, convenhamos, merecemos) e ao mundo, ou seja, como se trata um golpista? Newton neles; Terceira Lei. Com a mesma força aplicada, em sentido contrário. No cacete. Infelizmente, aqui só se estudou até a primeira, a da Inércia… Isto explica o nosso romantismo político.

Recep Erdogan após o golpe

As Instituições estão funcionando? Estão, sim. Na Turquia. Todos que participaram do [auto, segundo alguns] golpe pagaram um preço alto, seja em demissão, prisão ou exílio, não necessariamente na ordem disposta. Foram mais de 2700, entre magistrados e procuradores demitidos. Aqui, os procuradores são um braço togado de partido ou visão política. Lá não. Aqui, todo dia se vazam depoimentos e conversas entre personagens, em tese, protegidas legalmente pelo sigilo legal e nada acontece. Lá foi diferente. Precisa ser. A elite turca tem um projeto de Poder e os conspiradores de fora parecem não ter percebido isto antes.

Erdogan conseguiu amalgamar toda a Turquia em volta deste projeto. O povo turco pode ser engabelado por qualquer um, mas esta ideia de golpe militar para “reinstituir a ordem constitucional, a democracia …” não colou, para eles, escaldados por várias tentativas deste quilate. Eles simplesmente não veem os militares como salvadores (e não o são). Ponto para a Turquia.
Recep Erdogan jogou e parece ter levado o apanhado da banca. O novo recorte da região já se começa a reconfigurar. Claro que a esquerda, principalmente os legítimos, os que realmente o são, pois, com a vitória aparente de Recep, propostas para lá de reacionárias já estão sendo ventiladas, como a Pena de Morte, na Turquia! O próprio Governo de Erdogan já é, por assim dizer, um rotundo retrocesso, não se entendendo como a Europa, tão “democrática”, faz vista grossa para tanto atentado aos direitos humanos e às minorias, e, claro, à laicidade do Estado turco. Bom, com a oficialização da Pena Capital, na Turquia, os discursos necessitarão de retoques, sem dúvida.
Mas, com já se disse, no tempo de Jesus, Antipas Herodes, e al.; na Alemanha, em ´4? idem, as instituições estão funcionando. Na Turquia.

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