Infames Acusações Contra Lula, Grande Estadista, Não Destruidor!

Texto originalmente postado no Vi O Mundo (Acesso Aqui), a quem agradecemos, mais uma vez, pelo preciosíssimo espaço concedido.
Lula Presidente - WikipediaSobre o texto do eminente articulista Wanderley Guilherme do Santos,  postado No Vi O Mundo (Prioridade de Lula é esmagar Ciro), tecerei uma pequena digressão e tentarei, por mais que difícil possa, me ater ao tema.

Via de regra, não comento textos desses naipe, onde, num gesto descompensado, desproporcional, odioso e ad hominem, o articulista tenta imputar ao aludido as mazelas e diatribes eventualmente sofridas pelo eventual agredido, quando, na verdade, o pretenso aludido se desqualificara a cada declaração ou gesto.

Ora, sou tão cearense quanto o palrador Ciro. E conheço seu jeito de governar. Mas não me deterei nisso, haja vista tentar, mesmo lançada a isca da discussão sem propósito, evitar a destruição de reputações.

Basta dizer que o sr. Ciro Gomes nada fez para se contrapor à prisão injusta, covarde, cretina e claramente golpista de Lula. Pelo contrário, até coonestou-a.

Quem agiu de má-fé fora Ciro, sempre, e não Lula.

Quisesse  e | ou tivesse discernimento e honra, teria lutado por Justiça, pelo Devido Processo Legal, ilustre ausente, sempre, e não para tirar alguém do páreo, pária se mostrando. Homens lutam por ideias, jamais por dividendos de qualquer monta.

Fora Ciro quem se desnudara, sr. Wanderley.

Não inverta as coisas, à guisa de fidedignidade perante a história. Lula padece de todos os defeitos de um político, haja vista sê-lo e em um país onde sem [e mesmo com] coalizões seja impossível se governar.

O Lula conciliador é, antes de tudo, uma necessidade e algo que o forjou, ao cabo. Noutras ocasiões, além de conciliador, como se já falara, transbordou de boa-fé (a tal de Lei da Ficha Limpa [dos tucanos] que lho diga, bem como a investidura em funções no Golpiciário de pessoas sem a menor integridade moral para tanto…).

Mas ninguém pode lhe imputar de destruir pessoas, reputações, conspirar. Isso não é do conciliador Lula.

Quem sofre LawFare é Lula e quem não combate ilegalidades é o maior dos pecadores; é omisso e prevaricador.

A verdade vencerá, sr. Wanderley.

Ajudemos Lula, fiquemos do lado certo da história, pois, malgrado se possa pensar em maniqueísmo político, ora no Brasil, combater as agressões aos direitos básicos é revolucionário.

Nosso inimigo é quem nos suga o Pré-Sal, Alcântara, destruiu nossa indústria naval, fez água ao acordo de transferência de tecnologia com os suecos, perdoa dívidas milionárias de bancos, etc., não Lula.

Conclamando a combater do lado certo, como faz D. Marluce.

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Adeus Às Ilusões Ou Ao Estado Social

Adeus às Ilusões (Foto)Vivemos época conturbada, aqui, algures. Ninguém está a salvo do maior desmonte civilizatório do qual se teria ciência, acontecendo ora, sob nossos olhos, cientes ou não. Sim, por que, na aparente distante Idade Média, onde o homem teria uma expectativa de vida de vinte e oito anos, situação que, claro, precede os Estados Nacional e Social, onde um simples ferimento em uma ordenha ou na doma de um cavalo, por exemplos, seria fatal, não havia meios de combater doenças simples, até a descoberta da Penicilina e a criação de Sistemas de Saúde Pública é um longo e tortuoso percurso.

Os Estados, em suas clássicas modalidades, são uma conquista civilizatória fundamental. Com eles se deu o arcabouço de proteção à pessoa humana, o verdadeiro antropocentrismo, quando passamos de meros produtos divinos a seres dotados de direitos basilares. Estado Secular, desvencilhado de todo e qualquer fundamentalismo.

Agora, tudo parece ruir. Estes são obnubilados pelo neoliberalismo e sua tática antinacional para alimentar as corporações, a Globalização. O Sistema Financeiro não encontra limite territorial, linguístico, ético; tudo se transforma em corporativismo e empobrecimento da humanidade, com a concentração de renda galgando índices sem paradeiro. Ricos muito ricos e legiões de famélicos sendo massacrada pelos pouco hospitaleiros “Estados”. Gente morrendo aos borbotões, tentando fugir desesperadamente de suas condições sociais gritantes em seus países de origem.

A Criação - MichelangeloA democracia, outrora, mesmo formalmente, servia de aglutinador social. De cola para os conflitos. Agora, os Estados desnacionalizados utilizam a repressão para refrear qualquer tentativa de denunciar o próprio anti-Estado. A mídia, cooptada pelos rentistas, torna-se arauto do novo deos, o Merchatus. Os Poderes Judiciários nacionais transformados em meros coonestadores da barbárie humana. Ordenamentos Jurídicos, Organizações de Direitos Humanos em ruínas.

Ora, hoje se tem uma expectativa de vida bem maior, mas tenta-se apenar a humanidade por isso, reduzindo o direito ao usufruto das aposentadorias; é universal a ideia de tratar o homem como mula (não que elas não mereçam ser tratadas com dignidade). E o próprio trabalho está ameaçado. Não só pela tecnologia digital, que é parte preocupante (a Inteligência Artificial pode reduzir as oportunidades de trabalho, sem alerta ludista; e pode nos erradicar, também), mas pela própria escassez advinda do desmonte estatal.

O tragicômico de tudo é que correntes obscuras tentam dizimar a humanidade, para haver recursos para os restantes, segundo seus pressupostos; não se pode alegar malthusianismo. Ele apenas preconizava, não defendia “soluções drásticas, finais”. Antes de recorrer a essas teorias fascistoides, mister que se diga: “Ilumina A Ti“.
Combater a superpopulação dizimando-a, além de cruel, contraproducente e diabólico, é profundamente incongruente, pois as superpopulações são resultado do sobrepujar da ciência sobre as doenças (e sobre a própria obscuridade…). É como pagarmos (bem caro) pela ousadia do conhecimento. Nós Zeus de nós mesmos. Insanamente incongruente.

Haverá saída? Inteligência Artificial, Neoliberalismo, desmonte civilizatório; quem somos nós, qual o nosso propósito? Somos apenas ratos de laboratório? O que pensa você sobre isso?

 

O Papelzinho E A Fragilidade Das Obsoletas Urnas De 1ª Geração, No Brasil.

Urna-Se A nós...

Dentre todos os países que adotam algum tipo de votação eletrônica, o Brasil ainda é quem utiliza o sistema mais vulnerável a fraudes, aliado a uma resistência totalmente sem explicação plausível por parte da Autoridade Arbitral e Organizadora dos pleitos, no Brasil, o TSE.
Antes de qualquer estudo mais profundo, mister se faz que expliquemos algo: o chamado voto impresso não fica em poder do eleitor (se assim o fora, seria a coisa mais fácil do mundo o senhor do engenho saber em quem o “peão” votou e dar-lhe uns pedaços de rapadura ou relhadas, conforme o “voto impresso”). Não. O voto impresso assim se denomina por que o equipamento eletrônico que recebe o voto emite, numa urna em separado, uma comprovação deste. Tal comprovação, além de não ficar em poder do leitor, nem de ninguém mais, só será utilizado para fins de auditabilidade e de verificação de integridade eleitor X voto, ou seja, para evitar as “urnas coelho”, além de outros truques conhecidos do tempo da urna física.

Para ter acesso ao voto da contraprova, o “Paper Track“, a autoridade demandante deve possuir legitimidade para pedir e só a Autoridade certificadora, no caso, os T<R|S>Es podem conceder a demanda, sempre com fundamentação.
Pois bem. O Brasil utiliza urnas eletrônicas de primeira Geração (Aqui, explicação sobre as diferenças entre as Gerações de urnas e auditabilidade). O TSE, além de não atender a decisão congressual, que decidiu pela adoção do Paper Track, numa clara afronta a este Poder, ainda não explicou também por que utiliza um software chamado “Inserator” nas urnas brasileiras. À parte de parecer nome das Organizações Tabajara (antes fosse!), o Inserator é acionado quando, e por quem? Como este software interfere na totalização?

Como explicar à sociedade um Poder afrontar o outro, mesmo em um regime de exceção, como se sabe, impedindo a vontade do legislador?
Em 2014, criamos uma Petição exigindo do TSE a Adoção do Paper Track. Com mais de 70.000 assinaturas, foi declarada vitoriosa, coincidindo, inclusive, com o advento da aprovação, pelo Congresso Nacional, da adoção do “pepelzinho“.

A quem interessa esse sistema de 1ª Geração? Qual a razão da resistência, passando por cima do Congresso Nacional, do TSE na adoção do papelzinho? São perguntas que não calam.

E você, entendeu o que é o papelzinho; que ele não fica com o eleitor? Sua função e por que outros países não aceitam mais as urnas de 1ª Geração?
Se assim o fez, cumprimos parte do nosso trabalho, que é desmistificar o famoso Paper Track. Agora, cada um de nós pode e deve pressionar a Autoridade eleitoral pela sua adoção.

Em defesa do Estado de Direito: acima do revanchismo

 

Artigo publicado originalmente no Vi O mundo, a quem agradecemos
pela acolhida e pelas sugestões de diagramação.

Não sou petista. Já fora ‘acusado’ de sê-lo, durante toda minha vida como estudante e ou cidadão. Tal “acusação” tem, no seu cerne, uma certa dose de reafirmação do PT como Partido com princípios, mesmo quando, sabe-se, a intenção é desqualificar (estudei Licenciatura em Pedagogia e a Ciência de Jhering).

Não tenho qualquer filiação. Nunca me senti forçosamente atado a determinado grupo, quer na vida discente, quer na militância, onde vez por outra era tratado como “votando contra os princípios do nosso grupo”. Isso me trouxe alguns dissabores, não o bastante para me fazer deixar de lutar pelo que acredito.

Muito comum no Brasil, qualquer pessoa que apresente um grau de conhecimento político e defenda uma agenda progressista mínima, altiva, ser tachado de “petista”, “comunista” e de agitador. A alcunha, a tarja de “anarquista” está, parece, em franco desuso.

No caso de “ser petista”, há, embricado, na acusação, um certo elogio ao Partido.

Com efeito, nestas passadas três décadas de organização partidária brasileira, com suas especificidades, tem sido o Partido político a preservar uma unicidade em torno da legalidade e da observância do Ordenamento Jurídico.

Não sem rusgas, pois, como qualquer corrente (ou agrupamento destas) pensamento, há sempre interpretações distintas, mas que, dentro do que se concebe como salutar, têm sido discutidas dentro do Partido.

Agora, no olho do furacão das discussões intestinas e corriqueiras, está a questão da postura do PT à cassação do mandato do Senador Aécio Neves.

Os mais figadais dizem que o PT esquece o que fez Aécio. Existem manifestações que beiram o discurso odioso da mídia hegemônica.

A meu não humilde ver, não se trata, jamais se tratou, de defender Aécio, pois, para este, não há defesa.

Homem vil, baixo, invejoso, colérico, vingativo, pode ser apontado seguramente como um dos que fizeram o Brasil mergulhar nesta situação dificílima, com certeza.

Mas não, não é defender o indefensável. É se defender o rito, a Lei, a interdependência dos Poderes, sem qualquer hipertrofismo de um destes.

Não é demais lembrar que o conluio Judiciário | Executivo, durante a ditadura de 64, produziu uma das cunhas políticas mais impenetráveis da história recente do país. O executivo ‘executava’, literalmente, através dos seus verdugos, e o Judiciário coonestava. Tudo ‘em casa’.

Entenda-se que isso é o que tornou o PT o partido mais coerente com o seu Programa. É o único que sempre esteve do lado da legalidade e não arredou pé, jamais, de lutar por estes mesmos princípios.

Os que criticam a postura do PT, em defesa da legalidade e da primazia do Senado em decidir sobre o seu próprio destino, estes sim esquecem que o já ínfimo STF, outrora tido como Guardião da Constituição, está a usurpar as prerrogativas do Senado. Fazendo política.

Usar de revanchismo contra Aécio ou qualquer outro calhorda udenista não nos torna melhores. Pelo contrário. Nivela irremediavelmente a política ao direito da turba, tão alimentado, diuturnamente, pela grande mídia.

Lutar pela legalidade, mesmo nestes tempos grises, de política feita pelos tribunais, e até por causa disso, é a única saída.

Até se aceitem os argumentos dos que dizem que o PT foi lacônico, para ser sutil, no caso do golpe contra Dilma. Concorde-se.

Que o PT também não mostrou o mesmo furor ético quando da cassação de Delcídio; à época, publiquei texto exortando ao Senado a defender-se, enquanto Poder legítimo, contra [mais] uma usurpação do teleguiado e minúsculo STF ciático. Leia, se desejado, aqui.

As pessoas parecem não se dar conta de que a defesa do Estado de Direito é a pugna de quem defende a Lei ante a barbárie.

O problema de quem defende o revanchismo, não o Direito, é que estamos covalidando, sem querer, a anomia dos Poderes, além de desrespeitar o básico princípio da interdependência dos Poderes e a hipertrofia, revisitada, do Golpiciário, o Partido togado.

Só se poderá pensar em uma Nação, um dia, se se refundarem os princípios basilares do Direito, reduzidos a pó, sem trocadilhos, pelos que dele, o Direito, seriam os defensores naturais e não o são, por motivos que extrapolam este artigo.

Tudo que falei fora feito do ponto de vista de um simpatizante do PT.

Era importante fazer este contraponto e com a equidistância, até onde se puder dela dispor, de um militante e de um dos seus desafetos, seja um pago pela mídia hegemônica, quer se trate de um teleguiado, um coxinha.

Com vocês, a discussão. O que pensam sobre isso?

Presídios X Escolas; Até Quando Presos Como Mercadorias?

Não bastassem os muitos problemas vivenciados pelos brasileiros, golpe, retirada de direitos sociais, retrocessos em todos os aspectos, com os golpistas pisoteando todo arcabouço de direitos trabalhistas conquistados desde Getúlio, temos agora, como clímax de um problema que se arrasta há tempos, sendo postergado o seu enfrentamento ad aeternu, além do golpismo entremeado, do clima de insegurança, em todos os níveis, da sociedade brasileira, temos agora a questão dos presídios. As rebeliões, o controle paraestatal, dentro e fora das unidades prisionais e a privatização dos presídios, filão de ouro para os concessionários e dor de cabeça crescente para os Entes Estatais, além de questões de Direito (e de direitos) que não podem ter sua discussão adiada, postergada, sob pena do agravamento tornar irreversível a delicada questão prisional, tendo como bojo a questão da tutela dos apenados.

Este clima de terror vivido fora e dentro dos presídios brasileiros não é novo. Ele assim se nos parece. Mas a desídia histórica em tratar o sistema prisional com a sua devida importância é a real e mediata causa de tudo de mal que vivenciamos ora. E tem uma grande zona de interseção com a maneira como o apenado é visto, pela sociedade e pelos seus governantes.

Antes de qualquer questão legalista, a tutela dos presos não pode ser alienada, jamais. Questão paralegal, de Direito. O Estado, nos seus pacto e função social, tem a guarda dos apenados, e, sob tal égide, não pode vendê-la ou tratá-la como um produto, alienando o o controle sobre o destino dos seus reclusos, inclusive no plano financeiro.
Qual seria, então, a finalidade da execução penal e da aplicação da privação da liberdade do apenado? Seria punitiva, ressocializadora, ambos, n.d.a.?
Se for meramente punitiva, por ter o controle cominativo e dosimétrico, não pode terceirizar a aplicação desta; se for ressocializadora, não idem, pois o ente privado, por manifesto conflito de interesse, não pode nem deve cuidar da função que é atributo basilar do Estado.

Pensando ainda na finalidade da pena de privação da liberdade do tutelado, não pode, idem, o Estado, sob-rogar o seu controle executório. Basta se vislumbrar um pouco dos muitos que “mofam” nas unidades prisionais, muitos destes com pena indevidamente executada e | ou vencida, de há muito. Atentado manifesto a tudo que se concebe como bom senso.

O próprio argumento de economia, dados pelos privatistas, para justificar este crime contra a dignidade da pessoa humana, é uma falácia. O custo mediano do recluso gira em torno de três (3) vezes com relação ao mesmo custo quando da guarda via Ente Estatal. Então, não se fale em economia. Favorecimento e jogo de conflitos de interesses, sim.

O pior disso tudo é que a solução passa por (mais uma vez?) Educação. Chato, não? De novo? Constroem-se presídios onde a sociedade “economizou” em não construir escolas. É um trabalho a longuíssimo prazo e quanto mais cedo se fizer esta inflexão tanto melhor.
As grandes nações, como Japão e Alemanha podem nos dar bom subsídio para entender como se dá este longo, porém necessário processo. São países que tiveram suas economias, inclusive a própria infraestrutura, arrasadas e que conseguiram se reerguer, servindo como exemplos para o mundo. Nações pujantes e que se impuseram porque apostaram na formação da pessoa humana.
Não custa lembrar famoso aforismo de Victor Hugo, para quem Aquele que abre uma porta de escola, fecha uma prisão..

Aliás, em se falando em fechar prisões: Suécia E Holanda Fecham Prisões. Aqui, os apologistas da exclusão defendem abertura de novas unidades, quando seria muito mais barato, prático e respeitoso, para com a pessoa humana, com o Erário e até com a inteligência do brasileiro, rever as prisões, fazer mutirões, aplicar penas alternativas. Ah, mas isso aí dá trabalho e não traz resultado financeiro para os privatistas.

Por respeito à pessoa humana, mais escolas, urgente (ah, o governinho golpista está fechando-as, inclusive desativando as escolas noturnas, inviabilizado a educação de quem precisa trabalhar e estudar) e menos presídios.

O autor trabalhou, por dez anos, à disposição da Sejus-Ce. Dentre as suas atribuições, por trabalhar em TIC, havia uma auditoria anual dos ativos de hardware nas dependências privatizadas. Para se ter uma ideia do conflito de interesses, a reincidência, vista pelo Estado, uma mácula; do ponto de vista pela empresa privada, realimentação de lucro. Modelo de negócios. Quando cheguei a uma destas empresas, fui amavelmente convidado a conhecer algumas rotinas da unidade. Fi-lo. Ao voltar, o encarregado de TIC que me recebera tinha ‘evaporado’. Repentino ‘mal-estar’, alegara depois. Fazer o nosso trabalho de Auditoria era missão impossível.

Faleceu Fidel (O Homem); Sua História, Sua Luta, Perdurarão!

Faleceu nesta Sexta-Feira, 25 de Novembro, um dos mais importantes líderes mundiais. Nascido Fidel Alejandro Castro Ruz, mostrou ao mundo que é possível resistir aos impérios, sem se tornar um simples protetorado, mesmo tendo o azar de lhes circunvizinhar, criar seu próprio modo de repartir as benesses (e as dores) dos modos de produção de um país.
O Comandante Em Chefe da Revolução Cubana Faleceu às 22:29´ de hoje., anunciou Raul Castro, em declaração lida na Televisão Nacional; após o solene e breve anúncio, Raul evoca um tonitruante Até A Vitória, Sempre.
Em seguida, como parte do desejo do falecido Fidel, anunciou a sua cremação. Haverá nove dias de luto oficial, segundo se pode ler no Le Monde.
Para entender Fidel, mesmo com todo viés de uma escrita não-isenta (não as conheço!), pode-se ver sua trajetória aqui.
Para entender sua luta, é necessário que se pense no contexto cubano de antes da Revolução. Cuba era o paraíso dos estadunidenses, em todos os aspectos. Um testa de ferro vendilhão, como sempre o são (Fulgência Batista), uma sociedade empobrecida, explorada, vilipendiada, utilizada como bucha de canhão pelos “gringos”. Mulheres “fáceis”, “disponíveis”, “baratinhas, quase de graça”; o que um praça estadunidense haveria de desejar mais? O nome “puteiro” só deixou de referenciar Cuba após a queda do canalha pró estadunidenses.

Fidel, filho de rico fazendeiro, seria responsável pela maior revolução política nas Américas e por mudanças indeléveis no xadrez geopolítico da América latina, na África, Ásia, em todo o globo. Não admira a perseguição implacável advinda do império. A contrapartida é que, ao desafiar o império, outros pagarão com a ‘proteção ideológica’ deste. Os vários golpes militares, tão em moda no ´60 (Chile, Brasil, Argentina, Colômbia, etc.), e, ora, os golpes “com as instituições funcionando”, o que são, senão a garantia de não haver surpresas “antidemocráticas” (além, claro, de umas vantagenzinhas para a Matriz, como sói)? De qualquer modo, não se pode garantir que, sem Fidel ter tornado Cuba uma Nação soberana, não estivéssemos no mesmo atoleiro de ora.

Fidel criou em Cuba o que viria a ser o protótipo de um Sistema Social Universal de Saúde. A medicina mais avançada do mundo não o é por acaso. Garantiu, na prática, a universalização da Educação nos mesmos moldes da Saúde, melhoria de vida dos menos favorecidos, através de mecanismos legais.

Fidel e MandelaMas a luta de Fidel era maior do que Cuba, apesar de muitos obstáculos.

O seu maior legado, é, sem dúvida, ter tornado a bela ilha caribenha um país, mais do que isso, uma Nação. Cuba soberana, apesar da vizinhança nefanda.
Pode se dizer qualquer coisa de Fidel, menos que não amasse seu país. Foi graças à luta do grande líder que Cuba se tornou um local digno, bem distante do lupanar, em todos os sentidos, do testa de ferro Fulgêncio Batista. Sua luta serviu e servirá de inspiração a todos os libertários do mundo, pela luta contra o preconceito (lembre-se do quão importante o foi, na derrubada do Apartheid), a dominação, o servilismo, o o entreguismo, tão comum (e rentável, para alguns), por estas bandas.
Graças a Fidel, hoje é possível ir a Cuba e não se tratar de uma ida às chicas, literalmente.

Por fim, parafraseando um velho adágio do grande mestre, diria: — “Hoje, haverá mais uma estrela no firmamento, olhando, com carinho, para a América Latina. E, com certeza, não se trata de um de seus vendilhões. É a estrela da fidelidade latina…“.
Morre o homem Fidel. Suas ideias, porém, perdurarão enquanto houver a verdadeira humanidade.

Dreyfus, Madiba? Nem Nem Outro. Lula. Lula do Brasil.

Fonte: FUPAssunto mais comentado, nos portais de direita e nos blogues de esquerda, a eventual prisão de Luiz Inácio Lula da Silva tem dominado a tônica aqui e algures, não se discutindo o fato, e sim o quando. Depois dos últimos episódios de violação de todos os preceitos mais elementares do Direito, no Brasil, há de se convir que todo este pesadelo é plausível. Não vivemos mais um Estado de Direito.Vivemos um verdadeiro Estado Macarthista. “Warfare“, ‘Estado de Direito do Inimigo’.
Os próprios atos falhos dos golpistas, os escamoteados e os ostensivos, não dão margem a que se pense o contrário. Há poucos dias, Temer, o preposto da banca, o Breve, disse que lutaria pela reconstitucionalização do país (?). Bom, considere-se difícil, tal empreitada, não tão-somente por não poder ou dever ser feita pelos violadores bom como pela profundidade das lesões perpetradas contra a soberania do país, da indústria pesada e, por óbvio, do defunto Ordenamento Jurídico.

Remarcável como a metrópole, o Império, trata aos seus mandatários e como a elite local destrata os seus. Lá, eles se transformam em ‘monstros sagrados’; aqui também, mas sem o sagrados. Somente monstros, se forem de orientação de esquerda ou mesmo social-democratas.
Aliás, sempre que um social-democrata (aqui chamado de populista pela imprensa udenista) galga o poder, no Brasil, é infamado e deposto, não importam os meios. Primeiro, faz-se sua satanização, não é difícil, pois o brasileiro mediano não entende de política e é bastante avesso a esta, tornando bem fácil chamar um social-democrata de “bolivariano”, como se isto fosse, em si, uma mácula.

Impossível ver a história, o calvário pelo qual passa o grande líder político brasileiro e não traçar um paralelo histórico com Dreyfus, o judeu francês ou com Rolihlahla Mandela. Ambos sofreram, a exemplo de Lula, toda sorte de opressão estatal e foram, a seus devidos tempos, o inimigo a ser combatido, em nome da ‘purificação ideológica’ nacional.

Dreyfus, 1935, ano de sua morte. WikiPedia

Com relação ao Caso Dreyfus, o Brasil reproduziu, com pouco mais de um século, um dos maiores erros jurídicos contra um filho seu (aqui, nem discutamos a famigerada auto-anistia que a elite local inventou, a anulação do Julgamento de Carandiru e nem os casos de Genoíno, que entrou no processo para fechar um número macabro, cabalístico, e José Dirceu, que, mesmo após a elite admitir que ele não é o JD de um documento incriminador, continua preso), em nome de limpeza ideológica. Podemos dizer tudo, da elite brasileira, menos de ser atual, tempestiva.
Naqueles idos, não havia PowerPoint, mas havia lata de lixo, claro, ou seja, já havia maldade, afinal, esta começou com os humanoides, e engenharia social, idem.
Aos que anseiam pela prisão de Lula, lembro que na rica e culta Paris do Século XIX também se desejava a morte e ou a prisão de todos os judeus; o que viesse primeiro.
Quanto a Mandela, sabe-se bem mais, acredita-se; da sua prisão em Rivônia. Da sua prisão em Robben, depois em outras unidades prisionais. Um martírio de vinte e sete anos. Até se tornar o ícone de seu país, mesmo antes de sua morte.

Mandela, prisioneiro em seu próprio país. Robben, Pollsmoor e Victor Verster, quebrando pedras. Graças à CIA, sempre eles, foi possível localizá-lo, já em 1962.
Dreyfus, Ilha do Diabo.

Mandela. Fonte: WikiPediaPara onde levarão Lula, o nosso Dreyfus temporão? O Madiba? Para Guantanamoro, Curitiba?
Estará o pessoal especializado em PowerPoint, Hegel, Engels, numa mistura improvável, preparado para cuidar do nosso inimigo número 1? Estará este pessoal multidisciplinar e ainda com conexão direta com o Criador, preparado para não exceder a guarda do preso mais valioso do Brasil?
E os que anseiam pela prisão de Lula, pensam, por acaso, que este é o limite? Que o Estado de Exceção não alcançará pessoas com envergadura política menor; que estamos seguros? Qual o limite? Após a catarse da prisão do inimigo, precisarão de mais “Soma”, catarse, ou é o bastante?
Como lidarão, os procuradores messiânicos, os juízes antijurídicos, com o fim do Estado Federativo, laico?
Estarão eles preparados para o pós-prisão e para a criação de um mártir? Por ora, apenas um grande líder. Mas, dependendo do porvir, pode-se ter um novo Getúlio, quando se queria justo o contrário.

Por fim, lembrar que aos vilipendiadores do Estado de Direito não resta nada a não ser lutar, retorcer, curvar, para tornar menos inverossímil o estado de torpor e de violência estatal.
Lembrá-los de que eles nada podem fazer a não ser cumprir seus podres trabalhos contra o país, contra a Constituição, contra a indústria pesada brasileira. Só podem destruir. Ao iconoclasta, que, em rigor, é um invejoso, só resta destruir o ídolo, a obra, os seus rastros.
A eles jamais será conferida a insígnia de ícone, símbolo, orgulho. Farão sua faina desditosa. Receberão seus trinta e tantos dinheiros. Mas não vencerão. Pelo contrário, sucumbirão ao maior dos pecados capitais. Homúnculos. Vis. Odiosos.
Não entendem, posto que cegos de ciúme, que Lula é bem maior do que eles. Todos juntos.
Lula já é o maior brasileiro de todos os tempos. De algum modo, eles compartilham desta ideia. Mas a obcecação lhes embota a razão, como um véu. Por mais isolados que pareçam, estes senhores executores do regime de exceção não podem vislumbrar uma prisão sem consequências. Na França, o Caso Dreyfus apressou, e muito, a queda de todos os arroubos monarquistas. Na África do Sul, o regime enfraqueceu e há muito mais liberdade.
Aqui, o que vai sair deste arbítrio?

Eleições Em Fortaleza: Por Uma Cultura De Paz, Vote Roberto Cláudio

Passado o Primeiro Turno das Eleições Municipais, em Fortaleza, a exemplo de vários outros Municípios brasileiros onde se dispõe de eleições em dois Turnos, aqueles cujo candidato desejado se encontra fora do segundo escrutínio podem, e alguns efetivamente o fazem, pensar que a sua lida terminou, justamente por ter tido o seu escolhido preterido. Só que a política é ato contínuo. Nossas atenções devem se voltar, agora, para a escolha mais acertada entre as propostas guindadas à escolha decisiva.
Os candidatos que se qualificam ao Segundo Turno representam diferenças, sutis, que sejam, para com o seu contendor. No caso de Fortaleza não é diferente e as divergências de pensamento sobre infraestrutura, divisão orçamentária e sobre o calcanhar de Aquiles das metrópoles, a segurança, ou como os futuros gestores a veem, chega a ser gritante.

Roberto Cláudio, atual detentor do cargo, não parece imprimir grande ênfase na questão e isso é uma bênção. Veremos o porquê, a seguir.

Já o seu adversário, Capitão Wagner, tornou esta questão a menina dos olhos de sua eventual gestão. Mas aí está o nó górdio da situação: ele, o candidato, quiçá instruído pelos seus assessores, ou mesmo pela sua formação militar, hipertrofiou a lide da segurança. Tornou-a a causa em si e isto é um problema, pois uma cidade, mesmo que se reconheça a premência de repensar a questão em tela, não se resume à “luta do bem contra o mal”, “dos bandidos contra os mocinhos”, como se fosse um imenso e real Cinema Spaghetti. Mais equivocado, impossível.
Uma cidade demanda uma gama enorme de nuanças a serem tratadas com iguais zelo e com denodo, não aquele militarizado, de fazer porque é quem manda, mas sim a vontade política de realizar. Saúde, Educação, Lazer, segurança, Mobilidade, Ecologia. Tudo. Uma cidade é um organismo multifacetário e quem assim não pensar vai falhar terrivelmente, pois um verdadeiro gestor não pode ter uma visão simplista ou reducionista da realidade municipal.

A propósito, quase não se discutiu política municipalizada, dado o processo de golpe da Presidente Dilma. O país esteve acéfalo, durante quase o ano inteiro e pouco se discutiu a realidade dos munícipes. Ainda está-o.
Umas poucas vezes que reuni coragem para assistir à propaganda local, me deparei com a própria indigência de propostas, de um modo geral. Quando vi as inserções do candidato em tela, confesso que fiquei assustado. Parecia que estávamos todos dentro de um gueto. O narrador descrevia, paciente e ironicamente, os itens a portar, quando se saísse de casa; uma verdadeira operação de guerra. Faixa de Gaza é um soslaio na descrição. Assustador.

Reitere-se: a questão da cidade não se esgota na Segurança. Pelo contrário. É o leque de ações continuadas, paulatinas, dos gestores de todas as Esferas que vai influir na Segurança dos cidadãos, não o contrário. A Segurança é construída no dia a dia da cidade, com ações afirmativas, com a presença do Estado, não de modo repressor, mas oportunizando a todos o usufruto do espaço municipal.
Se alguém vier até você com propostas que se resumem a repressão, sem considerar o Estado como co-responsável pelas políticas que ele mesmo implementa, através dos seus gestores, está mal informado e ou intencionado. O problema da segurança não passa por repressão e por tutela. Segurança, por mais que eles insistam, não é caso de polícia. É problema de presença do Estado. Este como indutor de políticas sociais, não agente de repressão.

Conclamo a todos os eleitores alencarinos a repensar o que discutimos aqui. Exorto a votarem em Roberto Cláudio. Não votei nele, remarque-se. Nem em 2012 nem ora, no Primeiro Turno. Mas o farei. Porque suas propostas não apresentam o Estado como mero tutor e nem os cidadãos como inimigos internos. Propostas mais amplas, visão menos departamentizada da Segurança. Segurança é política de Estado, não caso de polícia.
Por uma política de paz. É estritamente necessário. Não estamos, jamais estivemos, a demandar heróis, fardados ou não. Mas sim gestores. Homens capazes de entender a envergadura do poder que lhe haverá de ser conferido via voz inexorável das urnas. Neste momento, dadas as duas propostas, a opção correta é Roberto Cláudio. Por uma cultura não marcial, respeitando a pessoa humana, vote Roberto Cláudio.

Netos dos Golpistas; Quem Por Eles Velará? Eterna E Fatalmente Golpistas?

Janaina Paschoal, coautora do criminoso pedido de impeachment de Dilma Rousseff, afirmou nesta terça-feira, 30 de Agosto, ter sofrido muito pelo pesaroso ato de formular o impedimento da primeira Presidente do do Brasil.
Dilma e Dennis Glover SorridentesNa sua fala aos Senadores, onde chegou a chorar ao final do discurso, pediu desculpas à Presidente afastada, Dilma Rousseff.

O aparente comedimento da causídica, sincero ou, a exemplo de todo este processo golpista de destituição de uma Presidente sem elementos que caracterizem Crime de Responsabilidade, um simulacro, remetem a uma questão: e quem “cuidará”, agredindo, que seja, o Ordenamento Jurídico do país, ‘pensando’ nos netos de D. Janaina, a Paschoal, ou qualquer outro[a] golpista e vendilhão da soberania do país?

Eu peço desculpas porque eu sei que, muito embora esse não fosse o meu objetivo, eu lhe causei sofrimento. E eu peço que ela [Dilma], um dia, entenda, que eu fiz isso pensando, também, nos netos dela”.

Janaina Paschoal no Senado

Sim, porque os netos de Dilma, qualquer que fosse o desfecho do golpe, não aproveitam, seja qual a forma, da “proteção” das Janainas.
Pelo contrário. Se estes não têm o futuro ameaçado, em termos de oportunidade de trabalho, estudo ou qualquer forma de proteção do Estado, pelo menos não serão massacrados pelas políticas de exclusão da Casa Grande, ora ou futuramente. Sê-lo-ão os inúmeros pobres, negros, homoafetivos e todas as outras minorias, historicamente massacrados pelo Estado excludente da elite brasileira, como se sabe, de volta ao poder. Pela porta dos fundos, mas de volta. Passados estes treze anos de políticas afirmativas, onde tivéramos o maior exemplo de mobilidade social da história, solapados pelos de sempre, daqui e da metrópole, teremos o retorno do Estado perdulário, não com os seus filhos, mas com aqueles que sempre tiraram proveito de nossas riquezas.

Cardozo fazendo Defesa de Dilma, no Senado
Aquele que perde a capacidade de se indignar diante da injustiça, perdeu a sua humanidade, por isso eu me emocionei

Os netos de Dilma têm uma belíssima, malgrado pungente, história a contar e recontar. De uma avó guerrilheira, presa política, vítima das maiores agressões contra a pessoa humana. Sofreu sevícias inimagináveis, humilhações, morte de companheiros de luta, no cativeiro ou em emboscadas (alguém lhes lembrará, com arremate, que, mesmo nas mais difíceis situações, Dilma não traiu seus companheiros!).
Tirante um novo Fahrenheit 451, nova mordaça, nos moldes de ´64, teremos ao menos o direito de contar a história da avó destes brasileirinhos, que, se seguirem os passos de Roussef, poderão sofrer toda a sorte de acusações, mas ninguém lhes apontará materialidade em algum deles!
Passarão a contar a história paralela de Lula, mentor de Dilma, o guiador dos pobres materiais e ricos de gana pela vida.

Os netos de Dilma e de Janaina, a Paschoal, especificamente, serão, eventualmente, contemporâneos. Quais deles acreditarão que seus antecedentes estiveram do lado correto, sem maquiagem, da história? Quais deles se orgulharão da avó que não se dobrou ao canto da sereia da pecúnia? Afinal, lembremos, Dilma foi destituída sem qualquer comprovação de materialidade criminosa.
Quais deles terão, se o farão, vergonha de seus antepassados?; da venalidade, se cabível, dos seus ancestrais? Enfim, quais precisam, de fato, de alguém que lhes vele o futuro e lhes dê sentido à vida?

Estamos de volta à luta de Sísifo, ou seja, a eterna reconstrução do Estado de Direito no Brasil. E, como se mostrou patente, sem um correlato e paulatino processo de educação política, as cenas tristes de hoje voltarão a se repetir. Com educação política, é possível que as duas clãs, de Roussef e de Janaina, estejam, um dia, do mesmo lado, lutando por dignidade e justiça. Um trabalho pascoal (intencional), de renovação, de envidamento. Mas, sem se educar a população, estes inditosos dias se repetirão.
Bom,

“se foi de boa intenção, vale”

Não é assim que falam os messiânicos togados? Sou muito orgulhoso de ser contemporâneo de Dilma, vítima de agressões inenarráveis, mas que jamais capitulou. Não sinto orgulho nem me sinto representar, ao contrário, com relação aos vendilhões, bandidos togados e congêneres. À luta, netos de Dilma!

Golpes Mundo Afora: Venezuela; Instituições Funcionando? Boicotes, Idem?

Com a nova onda de golpes, aqui e algures, é de se pensar que a nova modalidade, com o verniz de normalidade das “Instituições funcionando” (já disséramos, há pouco, que, nos tempos de Jesus, Herodes Antipas; no tempo de Hitler, idem, as instituições estavam funcionando; o fato de Hitler ter feito tudo para seu partido perder, e, literalmente, incendiar o, circo, digo, o Heischtag, diz muito. Quantas vidas se perderam. Quantas se salvariam se as instituições…) veio se firmar ou se teremos, a partir da velha e infalível geopolítica, a supremacia do golpe clássico, militarizado, ou mesmo uma mescla d´ambos.

Nas respúblicas do Paraguai e de Honduras, o neo-golpe, a deposição baseada no “risco de quebra das instituições”! A nova modalidade, por ser sutil, por não haver derramamento de sangue (só, se o for, como “casualidade” ou “causalidade”, leia-se “baixa de guerra”), parece ser o preferido, quando aplicável. Com o apoio maciço da mídia, via de regra “simpática” ao discurso de apelos ético-moral e restaurador, garantidor, institucional, seletivos por sua própria natureza patrimonial, são, por assim dizer, um aliado natural. O outro elo indispensável é o judiciário (caixa baixa intencional). Nos países centrais, esta esfera estatal consegue cumprir, até certo ponto, sua função reparadora, até mesmo por não haver tanta discrepância entre o padrão de vida de um juiz de qualquer instância, na Dinamarca, como exemplo, e um professor universitário (aqui, um juiz, além de muitos privilégios, como inamovibilidade, aposentadoria integral, em caso de demissão, faz parte de uma casta de 1,5% de consumo do PIB. Impensável, num país onde “as instituições funcionam melhor…”). Faltava esta casta na coalizão da nova modalidade golpista. Não falta mais, não é? Não esqueça que, em ´64, no penúltimo golpe, vários Ministros do STF foram para a “reserva”: aposentadoria compulsória. Agora, não foi necessário. Porquê, hein?

Golpe no Brasil. Até ora, um sucesso, fora o desaparecimento dos apoiadores de última hora, vulgo coxinhas. Este pessoal some mesmo, sempre…
Na Turquia, não se viu ninguém no Brasil dizer que “as instituições…”, até mesmo porque funcionaram, diferente do que esperavam. Juizeco de 1ª instância, procurador, quem foi arrolado no golpe pagou. E bem caro. Não que se possa comemorar o recrudescimento do estado recapturado pelo religiosismo (não se confunda com religiosidade. Meu respeito às religiões, mas não abro mão do Estado Laico. Não aceito o retorno medieval como algo bom. Jamais.) nem a proposta de estabelecer pena capital na Turquia ou em qualquer lugar do mundo.
Mas as instituições… bem diversamente do pretendido pelos senhores da guerra.

Agora, a nova praga, digo, praça de democratização, por assim dizer, é a Venezuela. Nova? Sim, nesta modalidade mais sutil, com verniz de normalidade.
Nesta segunda-feira, 1º de Agosto, o Conselho Nacional Eleitoral (o equivalente para nós ao TSE) considerou válida a proposição de um Referendum popular sobre a destituição de [Nicolas] Maduro. Há ainda algumas etapas para os antichavistas chegarem ao poder, e, assim, a exemplo do Brasil, de Honduras e do Paraguai, poderem colocar seus prepostos para o total controle do petróleo, a verdadeira razão de tanta grita moralista. É o petróleo, …

Maduro foi eleito para um mandato até 2019. Mas, lá, como cá, @ presidente se vê ilhado por um parlamento de direita, entreguista (entreguista, mesmo sendo a palavra correntemente aceita, parece não refletir a realidade, pois o “entreguista” é gratificado pela sua entrega), corruto, venal. Poderíamos fazer um transplante de paralamentar e, não fosse o idioma, talvez ninguém notaria.

Se é verdade que a Venezuela enfrenta escassez generalizada de alimentos, vestuário, produtos de higiene, hiperinflação, enfim, um caos, também é verdade que, vendo-a de perto, impossível não evocar o golpe chileno. O boicote aos gêneros alimentícios, patrocinado pelos mesmos de então, corrobora a tese de golpes mistos, o melhor dos mundos, afinal, discurso pela ética, pela moralidade dos gastos, pela higidez na política (como se isso fosse possível, dissociado de educação política) é tão velho quanto os sobas do Continente.

Petróleo, campos aquíferos, geopolítica. Imaginar o cenário de ora até daqui a trinta anos e saberemos que a Amazônia também será vítima da sanha democratizante dos senhores da guerra. E aí, as instituições estarão funcionando, até lá, ou estará tudo dominado?