Ambrosinha E A Escapada Escatológica

Como em todo local, no meu trabalho existem as figuras, aquelas que conseguem fazer a vida ser suportável. Aquelas que não arrefecem ante qualquer dificuldade. São pessoas que desdizem facilmente a equivocada ideia de felicidade derivada do padrão de vida. Uma delas é Ambrosinha. Pessoa simples, amiga, sorridente. Todo dia a guapa tem histórias e causos e faz questão de disseminá-los na Pasta.
Pois bem. A última da nossa figura foi o caso do motel. Ambrosinha foi ao estabelecimento com seu consorte. Segundo ela, foram ambos de bicicleta. Ela a carona.
Uma vez no casulo idílico, adentram no prólogo do que seria um dia de ardência e afeto.

Ambrosinha, por algum motivo, desiste no meio do romance; perguntou-se (tem sempre um bandido que faz estas perguntas jocosas) a ela qual a razão do refugo. Seria algo que não lhe agradou, seria o cara “Coca-Cola Litrão“, ou, ao contrário, “Anzol“? Risos gerais.

Segundo ela, seu D. Juan, alegando dor de barriga (sim, isso mesmo), vai ao banheiro. Ela aproveita para picar a mula dali, se escafeder de vez.

Sai Ambrosinha a pé. Deixa o consorte sozinho, resolvendo seus problemas peristálticos. Próximo de uma Avenida, um homem a aborda, num carro:

— “Ambrosinha, o que fazes aqui?”. Era o Secretário da Pasta, cujo itinerário passa pelas imediações; ela responde, incontinenti:
— “Tou vindo do motel aqui pertinho.”.

O Secretário, dada a intimidade, pois esta lhe atende no Gabinete, pergunta, em tom de surpresa?
— “É? Pois vamos para o trabalho aqui comigo. E o namorado, que é dele?”.

Ela responde, sem perder a tramontana:
— “Ficou lá no motel. Tava cagando.” (Sic!).

Bom, nada restou ao Secretário senão pedir ao motorista que conduzisse o carro. E arranjar fôlego para tanto riso. Ambrosinha ao lado, fornecendo detalhes do seu tórrido (ou não), escatológico encontro.

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Teixeirinha, Regina E O Dia do “Gorcô, Gorcô”!

Quando na Residência Universitária, tínhamos um amigo, Teixeirinha, que servia de muletas para as frustrações dos gozadores compulsivos. Sim, não poderiam faltar os “defeitos” de Tetê. Como os bolinadores da vida os apreciam, pois são o ponto fraco da vítima: sendo Teixeirinha gago, a “diversão” estava garantida!
Uma noite comum, estávamos a bebericar, conversando ‘potaria‘, e, claro, sobre mulheres e política. Presente à mesa, Valentim, costumeiro algoz de Teixeirinha.
Ele nos avisa:
— “Lá vem o Tetê; vejamos qual a boa de hoje.“.
Chega o supracitado, visivelmente bêbado, o que não ajuda para quem gagueja…
— “P-Pessoal; Eu dei o maior amasso na Regina. Pense num amasso. Dei uns dez beijos nela. Oh m-mulher ´ostosa.“.
E aí o Valentim começa a pedir detalhes: onde foi, como foi. Se o Tetê ‘se garantiu’, etc. E Teixeirinha claudicante, titubeando, contando as vantagens sobre Regina…
Nisso, vem chegando o “Carioca”, alcunha dum dos moradores, por razão óbvia.
Este pergunta, falando alto, como se lhe havia, na frente de todos, incluso Tetê:
— “Porha, alguém de vocês viu a Regina?“.
Respondêramos que não, exceto Tetê. Mudo, este.
Carioca continuou:
— “Porha, aquela vadia chupou meu &au, ali detrás da banca de revista. Quando eu terminei, ela perguntou, com a boca empanturrada: ‘Gorcô, gorcô?’. Preciso falar com ela…“.
O bar inteiro rindo da cena descrita, menos, não se sabe o porquê, Teixeirinha. Este fora para casa, apressadíssimo…
Nós ficáramos na beberagem e rindo. Muito. Eu, no chão, sem fôlego.

Os nomes são fictícios, como sempre o fazemos. A cena, não. Realíssima. Ainda hoje, só em contá-la, rio, e muito.

Coisas Que Só Acontecem Comigo

Tomo I, Causo II: A História do café ‘Cuado’.

Emprestado a outra instituição, fui a uma Unidade desta, pois seria necessário verificar cabeamento, aterramento, etc., uma das minhas atribuições no novo local de trabalho.
Levei meu equipamento (multímetro, chaves, disquetes (é o novo!), etc.).
Íamos passando, eu e colega de trabalho e da tarefa, quando ouvimos conversa, próximo à cantina, mui acirrada, algumas pessoas claramente alteradas, numa algazarra só.

Um dos contendores, Sabino, fulo, possesso, alegava não mais tomar café nem fazer qualquer tipo de refeição no espaço cito, pois tinha surpreendido o taifeiro fazendo sexo por entre as grades da cantina??!!

Ele, testemunha ocular da inusitada cena, havia visto e a descrevera, para deleite de uns, asco d´outros, com requintes de detalhamento.
Num certo momento, Sabino vociferou:
— “Nunca mais tomo café nessa p&hra“.
Eu intervim. Disse-lhe, em tom severo:
— “´Pera aí, Sabino. Você não está sendo justo. Não é você que sempre diz que adora café ‘cuado’ (Sic!)?”.

Caprichei na prosódia, para ficar bem claro o trocadilho infame. Risadaria incontrolável. Todos rindo, inclusive Sabino, totalmente ‘desarmado’, sem qualquer condição de retomar o acirramento, quando me disse:
— “P&hra, Morvan. É impossível falar sério contigo.”.

Um dia, já em minha Repartição, ele me vê, ri e diz:
— “Morvan. Lembras-te de mim; e da história do café?“.
Assenti, com um sorriso. Ele me falou:
— “Devo-te um favor. Estava tão alterado que seria punido, certamente. Desarmaste toda a confusão.“.
Agradeci a ele, disse que adoro café, mas prefiro solúvel; nada de café coado. Nova risadaria.
Obs: o nome Sabino é fictício e visa a proteger a privacidade da pessoa envolvida.