Lula, Ícone De Um Povo, Viverá!

Calunista‘ Global Incita, defende, abertamente, o desaparecimento de Lula (Alô, JustiSSa! Alguém ainda aí?)
Não carece repetir o nome do escriba, nem ao poço do ódio, nem mesmo suas lassas razões, tudo isso sobejamente disponível in loco, bem como nas Redes Antissociais. Faça-se rápida, mesmo que não vápida análise sobre o ódio e seus arautos, e só.

Pelo bem do país, Lula deve Morrer, disse o embevecido, encolerizado calunista. Estivéramos em uma democracia, quem destila tanto ódio, tanta apologia à morte estaria em sérios apuros legais, presume-se.
A propósito, o que é o Bem ao qual se refere o salivante? Sobre qual país este apanágio recairia? Ao mesmo onde todo aparato ideológico deixa incólumes mercadores deste, inclusive de sentenças? Pouco provável…
Resta inútil lembrar ao salivante calunista que, malgrado se possa matar o homem alvo de tanto ódio, impossível matar o ícone. Lula é tão indestrutível, enquanto alter de uma era, de um povo, de uma identidade, coisas sabidamente ausentes na classe dominante, que seu desaparecimento físico poderia produzir resultados inesperados, exceto cessar o mito; empoderá-lo, ainda mais, certamente. É por isso que ainda não se ordenou, ainda, da Matriz, a Solução Final para o “Jara“.
Neste ponto, os que controlam os títeres daqui têm muito mais sensatez, por assim dizer.

Pelo bem de qualquer lugar, aqui, algures, Lula deve viver; todos devemos; ser escrutinado pelo seu povo, pois, de todos os males e sortilégios, que perdure a esperança, tão sabiamente velada por Pandora, em prol dos homens.
É o triunfo da razão sobre o ódio. Lutar pela liberdade (e pela integridade física, mais do que nunca, de Lula ou de qualquer pessoa que se encontre ameaçada pelas suas convicções políticas. Lula vive. Viverá, sempre… Ele representa Madiba e Dreyfus, e isso não pode ser evitado. Saibam disso os salivantes. Lula do Brasil.

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Dreyfus, Madiba? Nem Nem Outro. Lula. Lula do Brasil.

Fonte: FUPAssunto mais comentado, nos portais de direita e nos blogues de esquerda, a eventual prisão de Luiz Inácio Lula da Silva tem dominado a tônica aqui e algures, não se discutindo o fato, e sim o quando. Depois dos últimos episódios de violação de todos os preceitos mais elementares do Direito, no Brasil, há de se convir que todo este pesadelo é plausível. Não vivemos mais um Estado de Direito.Vivemos um verdadeiro Estado Macarthista. “Warfare“, ‘Estado de Direito do Inimigo’.
Os próprios atos falhos dos golpistas, os escamoteados e os ostensivos, não dão margem a que se pense o contrário. Há poucos dias, Temer, o preposto da banca, o Breve, disse que lutaria pela reconstitucionalização do país (?). Bom, considere-se difícil, tal empreitada, não tão-somente por não poder ou dever ser feita pelos violadores bom como pela profundidade das lesões perpetradas contra a soberania do país, da indústria pesada e, por óbvio, do defunto Ordenamento Jurídico.

Remarcável como a metrópole, o Império, trata aos seus mandatários e como a elite local destrata os seus. Lá, eles se transformam em ‘monstros sagrados’; aqui também, mas sem o sagrados. Somente monstros, se forem de orientação de esquerda ou mesmo social-democratas.
Aliás, sempre que um social-democrata (aqui chamado de populista pela imprensa udenista) galga o poder, no Brasil, é infamado e deposto, não importam os meios. Primeiro, faz-se sua satanização, não é difícil, pois o brasileiro mediano não entende de política e é bastante avesso a esta, tornando bem fácil chamar um social-democrata de “bolivariano”, como se isto fosse, em si, uma mácula.

Impossível ver a história, o calvário pelo qual passa o grande líder político brasileiro e não traçar um paralelo histórico com Dreyfus, o judeu francês ou com Rolihlahla Mandela. Ambos sofreram, a exemplo de Lula, toda sorte de opressão estatal e foram, a seus devidos tempos, o inimigo a ser combatido, em nome da ‘purificação ideológica’ nacional.

Dreyfus, 1935, ano de sua morte. WikiPedia

Com relação ao Caso Dreyfus, o Brasil reproduziu, com pouco mais de um século, um dos maiores erros jurídicos contra um filho seu (aqui, nem discutamos a famigerada auto-anistia que a elite local inventou, a anulação do Julgamento de Carandiru e nem os casos de Genoíno, que entrou no processo para fechar um número macabro, cabalístico, e José Dirceu, que, mesmo após a elite admitir que ele não é o JD de um documento incriminador, continua preso), em nome de limpeza ideológica. Podemos dizer tudo, da elite brasileira, menos de ser atual, tempestiva.
Naqueles idos, não havia PowerPoint, mas havia lata de lixo, claro, ou seja, já havia maldade, afinal, esta começou com os humanoides, e engenharia social, idem.
Aos que anseiam pela prisão de Lula, lembro que na rica e culta Paris do Século XIX também se desejava a morte e ou a prisão de todos os judeus; o que viesse primeiro.
Quanto a Mandela, sabe-se bem mais, acredita-se; da sua prisão em Rivônia. Da sua prisão em Robben, depois em outras unidades prisionais. Um martírio de vinte e sete anos. Até se tornar o ícone de seu país, mesmo antes de sua morte.

Mandela, prisioneiro em seu próprio país. Robben, Pollsmoor e Victor Verster, quebrando pedras. Graças à CIA, sempre eles, foi possível localizá-lo, já em 1962.
Dreyfus, Ilha do Diabo.

Mandela. Fonte: WikiPediaPara onde levarão Lula, o nosso Dreyfus temporão? O Madiba? Para Guantanamoro, Curitiba?
Estará o pessoal especializado em PowerPoint, Hegel, Engels, numa mistura improvável, preparado para cuidar do nosso inimigo número 1? Estará este pessoal multidisciplinar e ainda com conexão direta com o Criador, preparado para não exceder a guarda do preso mais valioso do Brasil?
E os que anseiam pela prisão de Lula, pensam, por acaso, que este é o limite? Que o Estado de Exceção não alcançará pessoas com envergadura política menor; que estamos seguros? Qual o limite? Após a catarse da prisão do inimigo, precisarão de mais “Soma”, catarse, ou é o bastante?
Como lidarão, os procuradores messiânicos, os juízes antijurídicos, com o fim do Estado Federativo, laico?
Estarão eles preparados para o pós-prisão e para a criação de um mártir? Por ora, apenas um grande líder. Mas, dependendo do porvir, pode-se ter um novo Getúlio, quando se queria justo o contrário.

Por fim, lembrar que aos vilipendiadores do Estado de Direito não resta nada a não ser lutar, retorcer, curvar, para tornar menos inverossímil o estado de torpor e de violência estatal.
Lembrá-los de que eles nada podem fazer a não ser cumprir seus podres trabalhos contra o país, contra a Constituição, contra a indústria pesada brasileira. Só podem destruir. Ao iconoclasta, que, em rigor, é um invejoso, só resta destruir o ídolo, a obra, os seus rastros.
A eles jamais será conferida a insígnia de ícone, símbolo, orgulho. Farão sua faina desditosa. Receberão seus trinta e tantos dinheiros. Mas não vencerão. Pelo contrário, sucumbirão ao maior dos pecados capitais. Homúnculos. Vis. Odiosos.
Não entendem, posto que cegos de ciúme, que Lula é bem maior do que eles. Todos juntos.
Lula já é o maior brasileiro de todos os tempos. De algum modo, eles compartilham desta ideia. Mas a obcecação lhes embota a razão, como um véu. Por mais isolados que pareçam, estes senhores executores do regime de exceção não podem vislumbrar uma prisão sem consequências. Na França, o Caso Dreyfus apressou, e muito, a queda de todos os arroubos monarquistas. Na África do Sul, o regime enfraqueceu e há muito mais liberdade.
Aqui, o que vai sair deste arbítrio?

Reapreciação De Matérias Derrotadas: Fim Do Ordenamento Jurídico?

Adolescentes negrosO Legislativo brasileiro, através da Câmara, reapreciou, com manifestas lesões regimental e constitucional, em ambos os casos, matérias surpreendentemente derrotadas, pois tanto a que trata sobre o Financiamento Público de Campanha, bem como a relativa à Redução da Maioridade Penal, as quais pareciam gozar de maioria folgada às suas aprovações, Não o foram. Isto em si, o fato de reapreciação de matérias, já denota grave ameaça ao Ordenamento Jurídico. Um dos princípios basilares do Direito, a não apreciação de matéria vencida ou prejudicada, confere à sociedade segurança jurídica e é a certeza, o norte, a balizadora do respeito à maioria. Sem o princípio citado, a Lei se torna a vontade de grupos, não mais o resultado do debate sobre os temas propostos.

Ao reapreciar as matérias citadas, ‘aprovando-as’ na surdina, Cunha, Presidente daquela Casa, seus pares simpáticos às matérias citadas, bem como ao atropelo regimental | constitucional, agem contra a própria autonomia legislativa, colocando o Poder de legislar como algo acessório, não mais um dos tripés da República. Retiram, querendo-o ou não, a função precípua da Legislatura Estatal da Câmara. Agem como verdadeiros Deslegitimadores da Política (não acredite em coincidências, quando pensar em Operação Lava-Jato) e esgarçam todo o tecido jurídico que mantém íntegra a tríade de Poderes da República.

O grande problema, como se não o bastasse, é que o STF, não o Pleno, mas sim um de seus integrantes, já se manifestou, coonestando o abuso constitucional | regimental. Ou seja, o Custus Constitutioni não cumpriu, ainda, a sua função de Guardião da Carta Maior. Fá-lo-á? Não se sabe. Sabe-se que a sociedade precisa dar uma resposta com a mesma intensidade e em sentido contrário a estes golpistas e deslegitimadores da política.
Nem se entre no mérito das duas proposituras, pois delas já se tratou aqui, sobre a Lava-Jato, aqui, sobre a Redução da Maioridade Penal, mostrada como panaceia, e aqui, onde Sergio Graziano nos mostra o fascismo por trás da Redução da Maioridade Penal.

Mãe e Filha - Carta CapitalApenas conclamar o Pleno do STF, o verdadeiro Custus Constitutioni e a toda a sociedade brasileira a repelir, com veemência, a derrocada dos valores republicanos em prol da banca e das representações (ilegítimas, pois inconfessas das suas reais motivações) das Bancadas da Bala, da Bola e da dona Eva Angélica. Não ao retrocesso.
Pela juventude. Construir escolas. Presídios para quem legisla contra o país, isto sim. Não para a juventude. Para os jovens, escola e um horizonte de possibilidades; uma vida plena.
O Futuro de nossa sociedade depende de ações sensatas, não calcadas no revanchismo nem na exclusão social, que é ao que visa a Redução da Maioridade Penal.
imagem: Criança Belchior, Carta Capital.

A Judiciocracia Brasileira E A Operosa NaziPress

Nazipress Brasil

Vivemos cercados de mensagens subliminares, de valores impostos a toque de repetição, como funcionou, e bem, no nazifascismo, o clássico, e tem funcionado, no Brasil, há tempos, desde a década de ´50, ou seja, sempre que teve um trabalhista no Poder, desde Getúlio, passando por JK, Jango e chegando à era Lula, a nazipress brasileira mostrou suas garras e o direito da Casa Grande sempre esteve a serviço desta, para defenestrar os trabalhistas, a qualquer custo. Nunca esqueçam editoriais do O Globo, após o golpe militar, como a manchete garrafal “Ressurge a Democracia” (Sic!) e a luta contra o “atraso” que representava o décimo terceiro salário!

Reporcagem (Isso mesmo, revisor; é reporcagem, mesmo) me chamou atenção, hoje, pela violência simbólica e, claro, pela potencial eficácia de sua mensagem subliminar: esta, assinada por Fernando Diniz, intitulada ‘MPF Diz Que “Corrupção Mata” E Propõe Pena De Até 25 Anos‘ tendo, ao lado, uma imagem de Dilma, a Presidente da Respública. Pergunte-se o que faz a foto da Presidente, ali, e o calunista (de novo, calunista. Especialista em calúnia. Não revise, por favor!) não vai saber dizer algo verossímil, sobre isso. É a mensagem subliminar. É a mentira repetida ad infinitum como no caso do “Livramento de Dilma do Processo”. Dilma nunca foi ‘isentada’, por ninguém, como vários veículos pigais “noticiaram”, pois não havia o menor liame desta ao caso suscitado. Apenas não foi possível jungir seu nome ao esquema, como gostariam. Mas a reporcagem está em todos os sítios limpinhos.
A foto, como se já disse, cumpre, e bem, o feito subliminar. Associa a Presidente à corrupção suscitada na reporcagem; dentro, ao abrir o Elo, ver-se-á que Dilma aponta para outros assuntos, mesmo tendo a mais tênue correlação com este. Mas o intuito foi alcançado.

Interessante, nesta reporcagem é que o MPF não só cuida de assuntos legais, juridicamente falando. Ele propõe uma série de medidas para ‘conter a corrupção’. Mas, resta a dúvida; é o papel do MPF? Onde estão os legítimos legisladores, para isso eleitos? Num período que guarda muita similaridade com a década de ´50, onde as ONGs estadunidenses vinham ao Brasil dizer o que é certo e o que não o é, o MPF, que ainda não disse a que veio, afora sua imiscuição política, deveria ter um pouco mais de resguardo. Mas, por outro lado, que foi, desde os Governos citados, empoderado, porque deveria ter tal parcimônia? Isto é para os fracos, diriam.

Como diz Moniz Bandeira, “EUA Promovem Desestabilização Na América Latina” (eu diria em todo o globo; sempre; mas aí é outra história). Nada novo. Porém, quem deveria dar o Norte, está acuado. Quem há sido eleito, está sendo pautado por quem jamais recebeu um só voto. Que democracia é esta? Vivemos uma neo-judiciocracia, com o recrudescimento do udenismo e do ONGuismo estadunidense. Eles vêm, com suas malas de dólares, comprar os Kruells da vida. Comprar os que ainda não o foram. Cooptar mentes.
Por uma Justiça legítima, impessoal. Sem seletivismo. Justiça só o é, se universal o for.

Rosa Parks: Não Ao Etnicismo. O Mundo Nunca Mais Seria O Mesmo

Imagine um lugar onde há restaurantes com acesso exclusivo para brancos; bebedouros separados para os brancos e para os “coloridos”, os de cor. Em alguns Estados, neste mesmo país, o negro não poderia jamais pesquisar em uma biblioteca ou estudar em escola para brancos. Foi neste ambiente que veio ao mundo Rosa Louise McCauley, em quatro de Fevereiro de 1913, Tuskegee, Alabama, ou, para os íntimos, Rosa Parks. 1º de Dezembro é o seu dia, dia este comemorado concomitantemente na Califórnia e em Ohio. Não só pelos nomes dos Estados [con]Federados, dá para ver que não se trata do Brasil. Falamos sobre os Estados Unidos da América. Lá, o preconceito étnico é institucional. Como se trata de uma Federação, os seus Estados-Membros podem, como se sabe, ter leis diferentes, aplicáveis só na sua Jurisdição. Aqui, temos preconceito? Sim, mas de forma sutil, escamoteada, difusa. Se se pode elogiar algo (não a segregação, claro) nos Estados Unidos, com relação a esta odiosa segregação social, é o fato de eles, pela sua formação diferente da nossa, não jogarem para baixo do carpete seus demônios. Rosa Parks tem este dia em sua homenagem; e o porquê disto? Foi neste dia que o motorista James Fred Blake admoestou a costureira Rosa Parks a ceder o lugar no ônibus a um branco. Rosa Parks disse não. Imediatamente, James Blake acionou a polícia. De acordo com a Lei Civil, o motorista poderia determinar o local dos passageiros, por critério étnico. Ali, com a recusa de Parks em ceder seu lugar ao passageiro branco, a cadeia de eventos desaguaria no Boicote Ao Sistema de Ônibus de Montegomery e seria o estopim da luta pela igualdade étnica nos Estados Unidos e em todo o mundo, vez que o preconceito existe algures e, via de regra, é escamoteado.
Pois sim. O movimento de boicote iniciado pela valente Parks se iniciou neste ilustre dia e prosseguiu até Vinte de Dezembro de 1956, quando a Suprema Corte dos Estados Unidos declarou inconstitucionais as leis segregacionistas em ônibus do Alabama e, claro, de Montegomery. Claro que Parks sofreu inúmeras represálias, por sua postura insubmissa, mas foi em frente. Teve de se mudar, pois não conseguia trabalho no Alabama (naquele tempo, mais do que nunca, oferecer trabalho a uma “negra rebelde” era o mesmo que colaborar). Um dos maiores líderes do boicote ao sistema viário do Alabama era o grande ativista dos direitos civis Martin Luther King, autor do eminente discurso Eu Tenho Um Sonho.
A partir da luta de grandes líderes, como Luther King, Parks e Malcolm, o X, os Estados Unidos começaram a rever suas leis segragacionistas, de inspiração sulista.

 “Servimos Gente de Cor. Porta dos Fundos”.
BuzzFeed, via PapoDeHomem.

Leis que impediam negros de votarem e serem votados pereceram. Mas muito sofrimento humano foi necessário. Marchas pacíficas, com pessoas sendo massacradas pela polícia, eventos que culminaram na Marcha à Capital, quando Luther King conseguiu reunir vinte e cinco mil manifestantes, obrigaram o Executivo Federal a recuar e permitir o direito ao voto dos estadunidenses afrodescendentes.
Parks recebeu a comenda Medalha de Ouro do Congresso, com a inscrição “Mãe do Movimento dos Direitos Civis dos dias atuais“, das mãos do Presidente Clinton, em 1999.
Muita coisa mudou a partir daquele gesto, aparentemente anódino, de Parks; se ela, Malcolm, Luther King, tinham sonhos, dentre outros, partiram estes sem ver os Estados Unidos elegerem o primeiro Presidente afrodescendente, além de muitas outras mudanças e de muitas que ainda advirão, necessariamente.
James F. Blake, o motorista do ônibus, logo após a prisão de Parks, afirmou, dando de ombros:

Eu não fiz nada com Sra. Parks, a não ser meu trabalho. Ela violou o Código de Conduta do Condado, então, o que eu haveria de fazer? [Eu] tinha ordens a cumprir.

Ela, la Parks, afirmou, um dia:

Nunca tenha medo quando o que você está fazendo é o correto.

Certo. James tinha ordens a cumprir. Parks idem (ceder o seu lugar a um “superior”). Com uma diferença: Rosa Parks ousou dizer não. E nada, nunca mais, há sido como antes.

Rosa Parks. Ao fundo, Luther King; 1955.
Não se engane por este sorriso enternecedor; ela era profundamente determinada. Lutou a vida inteira. E não se tornou amarga.

Carta Aberta Ao Excelentíssimo Senhor Ministro Da Educação — Ainda A Questão Do Curriculum

Li, com a atenção devida, vossa entrevista ao Portal Globo – Entrevista Ministro Cid Gomes, e gostaria de discutir, no proveito de toda a Nação brasileira, haja vista a atomicidade das políticas educativas e educacionais, passando à reflexão sobre ideias do discurso ali contido, mesmo se se considerarem as implicações, intencionais ou não, da interpretação deste mesmo discurso.
Transcrevendo, sob determinado prisma, a parte mais importante, reitero, sobre as implicações e decorrências que aproveitarão ou não à sociedade, d’hoje até, quiçá, daqui a cinquenta anos, onde se diz:

Se o jovem tem vocação mais para a área tecnológica, aprofundar matemática, física; se tem vocação mais para a área de humanas, poder ter sociologia, filosofia. Não forçar todos a terem tudo, como é hoje, que se obriga todos os alunos do ensino médio a terem conhecimento sobre todas as áreas. Como é uma novidade, vai de encontro à tradição de pelo menos 40 anos no país, deve ser precedido de uma grande discussão, vamos ouvir experiências de outros países, tem diversos modelos, mas acho que é possível mudar em quatro anos”.

Ora, senhor Ministro, esta [pseudo] dicotomia humano X técnico (Sic!), antiga, profundamente arraigada em nosso meio acadêmico, é o que há de mais retrógrado e lesivo ao país. Tais políticas maniqueístas, excludentes mutuamente, remontam aos jesuítas, os quais suprimiram toda e qualquer tentativa de se ensinarem “ciências” (Sic!), pois estas, por trazerem em seu bojo questionamentos nada afáveis ao Estado teocrático de então, deveriam ser defenestradas, em nome da ordem e da manutenção do status quo. Tivéramos um enorme déficit em ciências exatas, justamente por esta visão fragmentada e maniatadora da sociedade e esta produziu os seus efeitos perversos por várias gerações. Depois, mercê do Estado totalitário, cujo desaguar redundou no golpe de 1964, as ciências do Departamento de Humanas passaram a ser as proscritas, pois estas ensejavam aos educandos ideias “libertadoras”, questionamentos políticos, etc. Retiraram-se das grades curriculares do ensino médio, de longe o grande ‘laboratório’ destes ensaios, as disciplinas “questionadoras” (filosofia, psicologia, sociologia), colocando-se em seus lugares a famigerada OSPB. Sabe-se muito bem o alcance destas medidas para a [de]formação de toda uma geração de seres humanos. O ensino médio deveria ser repensado a partir do que já advertia Baudelaire, sobre o “discurso duplo” na Educação. Dever-se-iam preparar homens. Estes deveriam optar por ser operários ou não e, em sendo-os, operários conscientes do seu papel social. Precisamos romper com esta dicotomização em prol de uma sociedade livre. Este menosprezo (histórico, mas nem por isso desimportante) pelas ciências humanísticas é tragicômico por estarmos justamente falando sobre um Governo que conhece, no lombo, o peso da falta de educação política do seu povo. Um Governo cuja mandatária e todo um conjunto de pessoas discordantes do modelo antinacional sofreu as agruras, físicas e psíquicas, de lutar pela libertação do seu país.
Não operemos quais jesuíta às avessas, colocando o “tequiniquês” acima de tudo e vilipendiando o pensar filosófico. Estamos no momento histórico no qual mais o Brasil precisa de um livre pensar. Temos um atraso cultural, mas no seu sentido mais amplo. Não é uma questão de formar um homem para servir a determinados propósitos, mas sim de formar homens livres e estes só o são quando não têm sua oportunidade de uma visão libertária solapada, dolosamente ou não.
O estudante “técnico” de hoje, sem uma visão holística da sociedade e sem uma escola que forme seres pensantes é o coxinha de amanhã. É um potencial zangão da nossa “Mass Media”. Daí que o curriculum, em qualquer série, não pode ser dicotomizado. Lembre-se. Estamos falando em formar seres pensantes, antes de qualquer coisa. Uma reunião, um simpósio, uma palestra na fábrica, por estranho que possa parecer, é mais útil, em determinado momento, do que uma explicação sobre o funcionamento de um transístor, pois o conhecimento sobre este componente pode ser obtido, considerando os recursos de busca digital hoje existentes, com igual ou maior proveito do aluno e a reunião terá seu construto a partir das observações ali perpetradas pelos audientes, em conjunto. Reitero: falamos em formar pessoas.
Disciplinas humanísticas em toda a escola, a partir do período de operações formais, é mister, não é veleidade nem tampouco desperdício. Só assim, interromperemos o ciclo de visões fragmentadas do conhecimento. Por fim, lembrar aquele para quem o conhecimento não apresentava visões antípodas: Oh, Da Vinci, inspirai-nos.

Atenciosamente,

Morvan
Morvan Bliasby é Pedagogo com especialização em Orientação Educacional, tendo também Especialização em Recursos Humanos e Prática Organizacional. É autodidata em informática e em eletrônica linear e trabalha no Estado do Ceará como técnico em prospecção em Software Livre, na Seplag.