Noite Dentro da Eterna Noite e a Recursiva Sensação de Deja Vu

Eclipse SolarEra década de ´70, século passado, meados.
Minha mãe e algumas mulheres da comunidade debulhavam e selecionavam feijões. Naquele tempo, mercê da vida que levávamos, não havia, ainda, pelo menos para nós, que vivíamos do pouco que produzíamos, como comprar víveres, mormente selecionados, como d´ora. Plantações de subsistência, às vezes, algumas criações, como porcos, galinhas, etc. Era cidade, Bairro do Cruzeiro, Itapipoca, mas a nossa economia era campesina, de certo modo.
Ouvi várias vezes minha mãe e outras “comadres” da comunidade discutirem sobre como seria o fim do mundo. A televisão e o rádio haviam “determinado” que, naquele dia, ninguém saísse de casa. Haveria um eclipse e poderia ser o fim do mundo, literalmente. Ou seja, o eclipse se daria. O seu desdobramento, o qual poderia se revelar apocalíptico, é que ninguém saberia determinar.

Enfrentávamos bastante escassez, como qualquer família pobre brasileira, apesar do ufanismo dos meios de comunicação, para quem o Brasil era um oásis. Não para quem era pobre e vivia aquele inferno. Filhos sustentados por uma mãe que fazia as vezes de dona de casa, empregada pública, em uma escola fundamental do bairro, e, como qualquer mulher sozinha, largada pelo marido, com uma penca de filhos (quatro!), o provedor, o arrimo da casa.
Não havia animais a abater, não havia ovos a coletar, nada. Se não déssemos um jeito, o feijão e o arroz ficariam sem a “intera“, sem o complemento.
Conseguimos, com muito custo, com muita discussão, convencer nossa mãe a sairmos para pescar. Afinal, se fosse um dia de escola, lá ninguém estaria mesmo. Todos aceitaram, de modo ou de outro, o toque de recolher. Além de irmos pescar, para não ter que ficar escutando aquela matraca de argumentos sobre o aludido Armageddon, traríamos o complemento da refeição.
Ante a argumentação ultra-protetora de minha mãe, contrapus:
Mãe, se o mundo se acabar, mesmo, gostaria de morrer de estômago cheio. Decidido.
Meu irmão mais velho saiu a pegar os peixes, comigo.
Caminhamos até o local da pescaria. Levávamos, como era bem comum, um pouco de farinha e rapadura. Uma espécie de desjejum, para o caso de não se pegar nada. Meu irmão me perguntou, amiúde, se eu acreditava naquilo tudo. Disse que não. De fato, não. Talvez por pura intuição ou talvez por já trazer a marca de não crer em bruxaria e similares ou em qualquer coisa sem fundamentação científica.
Meu irmão me perguntou:
Mano, se o mundo se acabar enquanto estivermos pescando?.
No que respondi:
Qual a diferença entre morrer em casa ou no açude? Tem como saber? Na verdade, nem notaremos, se acontecer..

O dia passava, conseguíamos alguns peixes. Por volta de 11:00´ paramos para fazer uma refeição, com a farinha e os pedaços de rapadura que leváramos no alforje.
Aramageddon?Continuamos a pescar. Pegamos bastante peixe. Acarás, traíras, piaus, etc. Uma pescaria proveitosa, sem dúvida.
Durante todo este tempo, no açude, observávamos o sol. Se haveria um comportamento diferente; se ele se esconderia mais do que o normal para o Nordeste, quase todo insolado, com poucos momentos de encobrimento dele. Nada. Sol a pino. Estávamos pescando sentados em uma árvore, cada qual; proteção contra o sol e menos desgaste.
Voltamos para casa com o produzido na nossa pescaria. Já era fim de tarde, uma bela e ensolarada tarde. Ao chegar em casa, muita alegria. Estávamos todos vivos, apesar das previsões, e o melhor, com provisões. Tínhamos como iniciar um novo dia, em todos os sentidos.

O tempo passou, conseguimos melhorar de vida, com muita luta de nossa mãe e com estudo, claro. Sem nosso processo de instrução, tão tenazmente perseguido pela nossa mãe, jamais teríamos conseguido ascender socialmente. As condições eram muito adversas e qualquer processo de mobilidade social só mesmo via estudos.
Sair do bairro do Cruzeiro, distando uns seis quilômetros até chegar ao colégio, no centro da cidade, era difícil, mas não estudar não era opção. Nunca o foi.

O Sol Brilhará!

Eu nunca consegui esquecer aquele dia. Nem muito menos situá-lo. Se foi um “toque de recolher”, para suprimir algum movimento político, afinal, naquele tempo, como hoje, se vivia um período muito conturbado, ou se foi uma pegadinha infame e todo mundo acreditou, pelo menos onde eu vivia. Sei lá. Decididamente, não sei.
Só sei que ainda hoje experimento a sensação de uma noite dentro da duradoura e longínqua noite.
A sensação de que esta noite é recidiva. Recursiva, eterna. os dias atuais parecem corroborar isso. Era dia. Mas o país se encontrava dentro de uma noite sem vislumbre, como hoje.

Gostaria de saber se um dia o sol brilhará, como brilhou, intensamente naquele dia. Mas não aquele, e sim o de um país onde os meios de comunicação não sirvam para lutar contra o próprio país e, sob o regime do medo, exercer este controle de antes e de ora.
Teremos, algum dia, este alvorecer?

Admirável UDN Velha Ou O Esgarçamento do Ordenamento Jurídico

Já no primeiro Governo Lula, alertávamos para a primeira providência, no sentido de sobrepujar as cunhas que a direita brasileira tem colocado, historicamente, como empecilhos a um Governo exterior à casa Grande, relembrando amiúde o fato de que sempre que temos um um Governo trabalhista no Brasil, leia-se, não oriundo e | ou não em prol da Casa Grande, e que, mesmo que beneficie àquela, é prevento a qualquer “usurpador” a simples ideia de uma melhoria, mínima que o seja, das condições de vida da Senzala; falávamos, inclusive, N vezes, sobre a necessidade de propiciar ao povo, em geral, acesso a mídias alternativas. O discurso uno da UDN viria, cedo ou tarde, dizíamos, e a Justiça era a mesma que convivera muito bem com as diversas ditaduras, inclusive a última, a mais desnacionalizante, belicosa e inimiga do país. A de ´64. A reforma Judiciária preexistiria, assim, como condição sine qua non para o país poder processar a enorme mobilidade social ocorrida, sem atropelos e sem “guerra contra a corrupção” (de uns; de outros, pode…).

Admirável Mundo Novo, todos devem saber, é mais uma distopia sobre o futuro da humanidade. Na obra magistral de Aldous Huxley, a humanidade seria “planejada” e controlada por seres “superiores”, os Alfa. Ás outras classes caberia obedecer. Simples assim. Eles eram controlados por repetição em laço de conceitos à hora de dormir (bem à moda nazi, atualíssimo), como forma de condicionamento, e por uma droga, o Soma, que lhes traria o refúgio e a paz dos que nada questionam. Uma sociedade perfeita, por assim dizer… Funcionaria como controle e catarse, ao mesmo tempo.
A história se passa no ano de 753 D. F. (depois de Ford). O entrelace nos nomes Ford e Freud são muito engenhosos. Veja filme e | ou leia o livro. Instigante.

No nosso caso, não precisamos do Soma. Temos a tevê. É a tevê, principalmente, mas não tão-somente, quem nos diz o que é justo e o que não o é e a catarse dos adictos da mídia é o roldão de notícias sobre corrupção, o mesmo mote de ´50 e que atravessa décadas sem qualquer sinal de arrefecimento. Qualquer mudança ideológica no comando do país e os guardiães dos costumes vêm à tona revelar o “mar de lama” (dependendo da tua idade, conheces bem esta expressão…).
Temos, duns tempos para cá, nova drog., digo, catarse. Os vazamentos seletivos. À moda biquíni, onde o importante não é o que é mostrado, e sim o que não o é, a mídia nazi tem “alimentado” os ávidos por novidades, notícias ruins, mundo cão, nunca se viu tanta corrupção, etc., com vazamentos de depoimentos, escutas ilegais, etc. Um dos atores destes vazamentos até menosprezou o fato, alegando nem se lembrar de que estaria cometendo uma ilegalidade, sobre possível grampo comprometedor da soberania do país; ruim, no caso, só o fato de o vilipendiador do ato criminoso ser um juiz.
Isso mesmo. No nosso admirável mundo velho, com UDN velha, discurso idem, mas funcional, graças à letargia da esquerda, as regras basilares do Direito pereceram. Não há mais presunção de inocência, não há mais rito. Nada. É a vontade dos ‘messias togados’ (caixa baixa, por favor) e pronto.
Juiz natural, isenção, ater-se aos autos, coisas vistas e bisadas na soporífera aula de Direito? Esqueça. Os promotores hegelianos dizem quem é o mal, já que eles são a cura, como naqueles velhos e enviesados filmes fascistas estadunidenses e estamos conversados.

Um dos últimos atos desta ópera bufa da nau dos insensatos é a Ordem dos Advogados do Brasil (tudo bem. Tu podes alegar: — “não é a OAB, é apenas uma seccional“) encabeçar a luta pela derrubada de uma Presidente eleita por 54 milhões de eleitores e sem que se apresente um único fato determinante. Triste, quase inacreditável. Não para quem te escreve. Acredites1.
Que falta fazem grandes juristas, como Evandro Lins e Faoro, a nos conduzir à saída desta caverna repetitiva.
Estado de Direito ou Estado da Direita? Os Donos do Poder, de Faoro, nos fornece algumas pistas.
Por outro lado, vamos para a rua. Não está em jogo só um púlpito ou só um gabinete. Está em jogo o Ordenamento Jurídico do país.

1Estudei Direito, até 1992.
Fi-lo durante alguns anos, na Faculdade de Direito do Ceará, UFC. Não colei grau, apesar da tristeza de minha mãe, que, fato comum, queria um filho advogado; ou de qualquer ramo do Direito, que o fora. Eu não. Eu só queria o ‘direito’ à casa universitária e assim que consegui meu primeiro salário, deixei a vaga para alguém que precisasse tanto ou mais que eu. Logo no início, vi que não poderia trabalhar com aqueles conceitos, com aquele ambiente ultraconservador, pois já tinha formação em Educação, e numa greve que houve, onde o C. A. do Direito[!] realizou assembleia, deliberando diferente do restante dos estudantes, pelo não apoio à greve, protestei contra o encaminhamento e levei um soco.
Alguém não concordava comigo mas parecia não ter a mesma eloquência! Nem isso havia sido o bastante, ainda, para eu deixar o curso. Mas, naquela mesma manhã, um outro brigão estava a desafiar um dos que discursavam, com punhos cerrados. Eu que só vira punhos em riste ou mesmo cerrados para mostrar resistência, nunca para bater em quem discordasse de mim. Dali em diante, foi só esperar o primeiro salário… uma longa espera.
Felizmente, o pouco que aprendi na velha e empoeirada Faculdade me permitiu conhecer grandes juristas e grandes correntes do pensamento jurídico, como Kelsen, Platão (sim, estuda-se bastante Platão, no Direito, assim como Marx, Engels e Hegel, já que o Direito tem suas vertentes, sem se confundir com, filosóficas. Alguém faltou às aulas de Filosofia do Direito; ou de Economia…), Ihering e outros.

A Montanha Dos Sete Abutres — 1951 — A Tragédia como Mercadoria da Audiência

Montanha dos Sete Abutres
Publicado originalmente no Cinema É A Minha Praia, a quem agradecemos, novamente, na pessoa da gentilíssima Valéria Miguez.

A Montanha Dos Sete Abutres — Um filme à antiga, literalmente. Não só na ambiência Noir. Do tempo em que não se fazia filme para bilheteria. Filme com mensagem, filme com moral a ser decodificada no transcorrer da trama. Antecipando e até demarcando o Noir, o mestre Billy Wilder nos brinda com um filme denso, soturno (sem fazer qualquer rapapé para com o estilo homônimo francês), gris, antecipatório até, do que se adviria, quando do domínio da imagem sobre a palavra. Outros diretores tentaram, como em O Abutre, discutir a mídia e seu poder sutil e ao mesmo tempo eficaz, massacrante. Síndrome da China, documentário com cara de filme, ou o contrário, tenta também nos mostrar este poder desmedido, aqui, pior, pois mesclado com interesses bélico-midiáticos. Uma mistura explosiva, literalmente. Jane Fonda e Jack Lemon, como sempre, arrasam. Monstros. O mais novo, e nem por por isso menos contundente O Abutre nos mostra aonde vão a ganância e afã de produzir não-notícias e como a manipulação midiática não conhece limites.

a-montanha-dos-sete-abutres_1951_01Voltando ao filme do magistral Wilder, menos não se poderia dizer do assustadoramente talentoso Kirk Douglas. O velho matriarca segura a trama do início ao fim, como só os sagrados do cinema o fazem; no papel do fracassado Chuck Tatum, sujeito muito bom no que faz, mas de temperamento forte, por isso demitido N vezes e tendo aquela que parece ser sua última chance. Tatum, num daqueles platôs do trabalho, onde não se tem o que dizer, vai ao deserto cobrir uma corrida de cascavéis. Leste certo. Não. Não era uma corrida de tatus, tão ao gosto do estadunidense, nem um trocadilho infame com o nome do personagem. Corrida de cascavéis. Isso! Num átimo, a trama muda, pois, ao parar para abastecer, ele e seu parceiro de jornada descobrem a história de Leo Mimosa, tentando encontrar relíquias indígenas, se mete num buraco de uma mina e fica encalacrado. Tatum já tem o “furo”. A oportunidade é esta. Esqueçam as meninas peçonhentas.

a-montanha-dos-sete-abutres_1951_03A partir daí, o filme ganha a musculatura pretendida pela direção e pelos roteiristas. Suspense. Apresentação dos caracteres da cidadela desértica com seus tipos humanos. Em todos os sentidos. Não é mais uma trama sobre cascavéis ou de onde o mais emocionante é uma bola de capim seco a rolar ao sabor dos ventos. Dramas humanos. Os interesses conflitantes vêm à tona; os que querem a liberação do infeliz, que só pode usar as mãos para se comunicar com o mundo à sua volta, e definha, já que não há como obter alimento ou água, a não ser pelo buraco onde, com gestos, ele fala ao mundo, os que não querem de jeito algum a soltura do garimpeiro, o próprio Chuck Tatum, nem Lorraine, esposa do infeliz Leo, pois, caso do Chuck, estamos falando em mídia. Audiência, no caso, é o que importa. Os que estão se lixando e os que querem aproveitar a deixa para sair daquele buraco de cobra, literalmente. Ir para a cidade grande, tentar carreira empreender algo, caso Lorraine, que não almeja nada que não seja sair de perto de Leo e viver a aventura da cidade grande. Cite-se ainda a completa desilusão, com o mundo e com a própria carreira, de Herbie Cookie, “parça” de Chuck Tatum. Aos poucos, seu mundo vai se esgarçando e Chuck já não é mais o seu ídolo.

a-montanha-dos-sete-abutres_1951_04 - Copia (2)Filme discutindo a si mesmo, ou mídia a se questionar, temos aos borbotões. Mas A Montanha Dos Sete Abutres (Ace In The Hole, no idioma original) merece todo o crédito pelo seu caráter premonitório de um tempo em que a mídia assumiria o protagonismo espúrio de ora. Antever isso em ´51 não parece trivial e não o é. O final do filme mostra, no roldão da exibição dos caracteres típicos de uma cidadela, o trágico a permear a vida humana e o quão não temos o timão das nossas atitudes nem o leme do nosso destino. Qualquer paralelo traçado com o modus operandi da mídia contemporânea é inevitável. Retrato vislumbrado e, infelizmente, confirmado. Ao vivo e em ‘cores Noir‘.

Por: Morvan Bliasby.

O Dia Em Que O Senado Brasileiro Abdicou E Sumiu

A prisão do Senador Delcídio do Amaral, no que pese o seu histórico de pouco samaritano e seu longo trabalho nos bastidores da engenharia do aparelhamento tucano (este senhor, tido como o mais tucano dos petistas, é egresso do ninho dos “éticos seletivos” e, seja lá o que tenha feito, para desagradar seus pares, tratamos de coisa mais profunda do que o caso em si, como veremos, no desenrolar), antes de representar um avanço, com querem fazer crer a mídia putrefata brasileira e seus irmãos de fé, o aparato togado e | ou fardado do discricionarismo brasileiro, representa o afunilamento do processo de judicialização da política e o fim das garantias individuais.
Para início de conversa, para ser preso, um representante do povo (Sic!) precisa que o crime por este praticado seja inafiançável e em inequívoco flagrante, como preconiza a Carta Constitucional, Art. 53, § 2º, onde exara, com clareza:

desde a expedição do diploma, os membros do Congresso Nacional não poderão ser presos, salvo em flagrante de crime inafiançável.

Através de malabarismo equivalente ao Domínio de Fato Tropical, refutado pelo próprio autor da Teoria Original, Klaus Roxin, o MP fez chegar ao Ministro Teori o novo pressuposto que permitiria sobrepujar a definição clara do prevento à prisão de parlamentares, conforme vemos, muito bem explicado, aqui, em artigo de José Carlos Spin. Mais uma “jabuticaba jurídica“, sem dúvida.

Ao criar a jabuticaba e permitir mais este esbulho à norma constitucional, o STF e o MP procederam à prisão (ilegal, ressalte-se) do Senador e, para dar ao Regime de Exceção um verniz de normalidade, “submeteu” ao Senado, Casa afeita ao Senador, como preconiza a norma, a ratificação ou não da prisão. Com a opinião pública totalmente manipulada, sedenta de “justiça”, e mais uma manobra, esta na própria Casa [bi]Cameral, instituindo o voto aberto, o resultado não poderia ser outro:
25 de Novembro de 2015, o dia em que o Senado Abdicou de Suas Prerrogativas e Se Curvou Ao Arbítrio.
O Senado brasileiro se apequenou, se desmilinguiu, derreteu; sucumbiu ao retrocesso institucional a mando do Império.

A postura dos Senadores de oposição [ao país?] é previsível. Gente que trabalha com prestidigitação, fazendo chover dinheiro, literalmente, gente ficha suja (mais uma jabuticaba), gente que não respondeu por crimes do instituto do “não vem ao caso”, votou pela ratificação, em homéricos discursos consertadores e refrigerantes das almas sedentas de “justiça”. Um bálsamo!
Agora, o PT, que, desde o Mentirão, insiste em não entender o que está em voga, fazendo o próprio jogo do inimigo, deveria ter votado (unanimemente) pela não admissibilidade da prisão de Delcídio, em nome do Estado de Direito, não de direita. Depois o expulsaria; parece difícil, mas seria muito mais producente e condizente com a Lei.
O Senado, infelizmente, se desnudou. Mostrou toda a sua pusilanimidade e sua indisfarçável genuflexão. Seu desapreço pela norma, pela observância dos princípios basilares.

Agora, após este ato pantomímico dos nossos “custi Legis” (estamos f…ritos!), vem Eduardo Cunha, bandido confesso, sabidamente desonesto, incólume, dar andamento ao processo de Impedimento da Presidente da Respública, ante o olhar sereno, inerte, dos senhores “fiscais da lei”! Isso, sem qualquer fato determinante do Impedimento.
Estamos em um grande impasse e, desde o final do segundo turno, não se faz outra coisa senão atentar contra o Estado de Direito, ou seja, o eterno terceiro turno brasileiro. CNBB emitiu nota de apoio à Presidente e às instituições de Direito. Teremos mais um embate e, caso possível, teremos a normalidade, por pouco tempo, com ou sem o Senado. Melhor ainda, sem uma Câmara presidida por um punguista.
Quem sabe, um dia, se aprendermos a importância da educação política do povo, tenhamos um Senado?

Morvan Bliasby é Funcionário Público Estadual, Função Analista Auxiliar de Gestão, com atribuição, atualmente, como Técnico em Governança de TIC, Seplag – Ceará.
Formação Acadêmica: Pedagogo (UECe); Direito, até o 7º Sem. (UFC); especialista em Orientação Educacional (UECe) e em Recursos Humanos e Psicologia Organizacional (FERPI).
Autodidata em Informática e em Eletrônica Linear. Vários trabalhos publicados nestas duas disciplinas. Possui blogues de discussão política e de assuntos de tecnologia.

Retrocesso Institucional. Até Quando?

Passado o sufoco do segundo turno da eleição presidencial, preparávamo-nos para o inexpugnável terceiro turno, aqui e em toda a América do Sul. Só não nos era, penso, possível, então, antever a ferocidade deste, mesmo que as eleições, no Brasil, desde 2010, tenham se tornado mais e mais atrabiliárias, com a direita se tornando, a cada dia, a pitonisa do golpe, fosse qual a modalidade, clássico, ou em sua modalidade mais “moderna”, judiciário, a la Honduras.

Desde aquelas eleições, como dizíamos, a direita “virou a mesa”, com o carteado já distribuído, supõe-se, sabedora do seu desfavor, vindoiro, no jogo. “Convocaram” o então Papa, o bispo não sei d´onde, mandando ao inferno, literalmente, as conquistas, até aqui, do Estado laico. A questão do aborto virou estratégia eleitoral, não funcionando, ao final, para os “ungidos” por estes terem praticado os “crimes” aludidos. Tragicômico, surreal, mesmo no Brasil.
A imprensa mundial tratou também de dar sua contribuição, “despida de qualquer interesse” no jogo, com as revistas da banca internacional entrando de corpo e alma (por assim dizer…) na disputa, sempre de modo “democrático” e “isento”.

Com a chegada (anunciada) do terceiro turno, tivemos um grande retrocesso institucional, no Brasil. Processo, lembre-se, iniciado em 2005, com a pantomima do mentirão, digo, mensalão e afunilado neste último terceiro turno. Os avanços institucionais se diluíram na sanha golpista e nos remete a um passado recidivo. Tudo parece um filme a se repetir.
O divisor de águas da quebra na inflexão federativa que parecia se desenvolver, no Brasil, aparenta ser o caso do Grampo Sem Áudio (sic!). A partir dali, experimentamos, concomitante com um protagonismo espúrio e crescente das instituições que deveriam ser fiscais da Lei ou, no mínimo, zelar pela sua observância (MP[E|F], PF, STF, etc.).

Se Umberto Eco tem razão em dizer que as Redes Sociais empoderaram o imbecil fundamental, no Brasil, terra de extremos, as tais armadilhas digitais deram vez ao midiota mais perigoso de todos, pois além da pouquíssima qualidade educacional, é um tipo que se reconhece historicamente por repelir os rótulos. É um tipo que não aceita ser chamado de golpista. Tanto que criou o malabárico conceito da “Intervenção Militar Constitucional”. Fruto destes tempos rábicos são, por exemplo, as passeatas pedindo o golpe, mas sem golpe, por favor. Mulheres com faixas defendendo o feminicídio (não lhes pergunte o sentido da faixa. Elas apenas estão protestando contra “algo”…); faixas protestando contra excesso de Paulo Freire nas escolas, bem como projetos de lei proibindo doutrinação marxista nos mesmos estabelecimentos! Aqui, a simultaneidade dos protestos e do projeto da direita estragaram a espontaneidade e acontece o mesmo com as faixas portadas pelas mulheres: não pergunte ao midiota portador de tais faixas quem foi Paulo Freire. Uma pergunta destas é uma indelicadeza…

Já em 2013, teve promotor público, pago com o erário, fazendo apologia do crime: Mate um petista e arquivamos o inquérito. Mais direto, impossível. O apologista criminal utilizou o FaceBook, esta máquina de criar lobotomizados, para alardear o seu próprio crime.

Agora, passado o Mensalão, Operação Vaza A Jato, digo, Lava A Jato, temos o desmonte completo da indústria, mormente a de ponta, brasileira, além de a tal de Vaza A Jato só terminar quando o seu títere, o sr. Moro, juiz de primeira instância, mas com poder sobre todo o arcabouço institucional, conseguir o seu intento, que é, de qualquer modo, destruir o PT, a Petrobrás, o Brasil e prender o seu (de toda a direita) inimigo figadal, Lula, o Nêmesis. O que vier primeiro destes eventos.
Os poucos que diziam que a reforma do gangrenado Poder Judiciário seria prioridade, sabiam que esta reforma seria sine qua non. Sem ela não haveria possibilidade de avanço, pois este poder sempre foi o mais recalcitrante a qualquer avanço social e foi o grande coonestador do regime militar.
E também dizíamos que sem educar o povo este mesmo se voltaria contra seus defensores. Só pão, sem educação, nunca funcionou, aqui e nem algures.

A esquerda (pense esta palavra com certa amplitude) brasileira tem grande culpa no nosso retrocesso; em vez de preparar as pessoas, fazia-se omelete no cafofo da serpente. Em vez de incentivar a mídia alternativa, foi-se a rapapés das famílias midiáticas.

Hoje, quando se vê ministra (caixa baixa intencional) do stf (idem) utilizando, ironicamente, motes da esquerda para punir os inimigos da casa grande; quando se assiste à pantomima de ministra (idem!) reconhecendo não haver elementos para condenar, mas, a despeito, ela o faria, quando se vê organização paramilitar dentro do Estado, conspirando contra a Presidente, organizando-se politicamente, com estrutura estatal, em prol do candidato derrotado, instituições estatais mancomunadas com órgãos de imprensa, engajados em causas nada federativas, a esquerda tem de fazer um rotundo mea culpa. Somos partícipes, pela omissão, que o seja, mas o somos.
Quando se vê, idem, ministro de Estado apoiando projetos lesa-pátria da direita, não é tão estranho assim, desde que ele não permaneça. O sr. Levi, ao defender projetos do nefando Serra e de outros inimigos do país, está fazendo o seu jogo. Quem está jogando contra é quem o mantém.

Para não dizer que não falei das flores, vivam os estudantes das escolas públicas paulistas, aqueles que lutam bravamente contra a privatiz., digo, normalização das escolas. Estes, sim. Têm coração valente e desejam uma pátria realmente educadora. Sem “normalização”. Parabéns a estes jovens. Vós sois, de fato, a esperança.

A Judiciocracia Brasileira E A Operosa NaziPress

Nazipress Brasil

Vivemos cercados de mensagens subliminares, de valores impostos a toque de repetição, como funcionou, e bem, no nazifascismo, o clássico, e tem funcionado, no Brasil, há tempos, desde a década de ´50, ou seja, sempre que teve um trabalhista no Poder, desde Getúlio, passando por JK, Jango e chegando à era Lula, a nazipress brasileira mostrou suas garras e o direito da Casa Grande sempre esteve a serviço desta, para defenestrar os trabalhistas, a qualquer custo. Nunca esqueçam editoriais do O Globo, após o golpe militar, como a manchete garrafal “Ressurge a Democracia” (Sic!) e a luta contra o “atraso” que representava o décimo terceiro salário!

Reporcagem (Isso mesmo, revisor; é reporcagem, mesmo) me chamou atenção, hoje, pela violência simbólica e, claro, pela potencial eficácia de sua mensagem subliminar: esta, assinada por Fernando Diniz, intitulada ‘MPF Diz Que “Corrupção Mata” E Propõe Pena De Até 25 Anos‘ tendo, ao lado, uma imagem de Dilma, a Presidente da Respública. Pergunte-se o que faz a foto da Presidente, ali, e o calunista (de novo, calunista. Especialista em calúnia. Não revise, por favor!) não vai saber dizer algo verossímil, sobre isso. É a mensagem subliminar. É a mentira repetida ad infinitum como no caso do “Livramento de Dilma do Processo”. Dilma nunca foi ‘isentada’, por ninguém, como vários veículos pigais “noticiaram”, pois não havia o menor liame desta ao caso suscitado. Apenas não foi possível jungir seu nome ao esquema, como gostariam. Mas a reporcagem está em todos os sítios limpinhos.
A foto, como se já disse, cumpre, e bem, o feito subliminar. Associa a Presidente à corrupção suscitada na reporcagem; dentro, ao abrir o Elo, ver-se-á que Dilma aponta para outros assuntos, mesmo tendo a mais tênue correlação com este. Mas o intuito foi alcançado.

Interessante, nesta reporcagem é que o MPF não só cuida de assuntos legais, juridicamente falando. Ele propõe uma série de medidas para ‘conter a corrupção’. Mas, resta a dúvida; é o papel do MPF? Onde estão os legítimos legisladores, para isso eleitos? Num período que guarda muita similaridade com a década de ´50, onde as ONGs estadunidenses vinham ao Brasil dizer o que é certo e o que não o é, o MPF, que ainda não disse a que veio, afora sua imiscuição política, deveria ter um pouco mais de resguardo. Mas, por outro lado, que foi, desde os Governos citados, empoderado, porque deveria ter tal parcimônia? Isto é para os fracos, diriam.

Como diz Moniz Bandeira, “EUA Promovem Desestabilização Na América Latina” (eu diria em todo o globo; sempre; mas aí é outra história). Nada novo. Porém, quem deveria dar o Norte, está acuado. Quem há sido eleito, está sendo pautado por quem jamais recebeu um só voto. Que democracia é esta? Vivemos uma neo-judiciocracia, com o recrudescimento do udenismo e do ONGuismo estadunidense. Eles vêm, com suas malas de dólares, comprar os Kruells da vida. Comprar os que ainda não o foram. Cooptar mentes.
Por uma Justiça legítima, impessoal. Sem seletivismo. Justiça só o é, se universal o for.

A Mídia, A Petrobrás E A Interdição Do Brasil

Fonte: TopGyn

Desde antes do início do terceiro turno, redundando naquela capa infame da famigerada Veja, quando a oposição ao Brasil (imprensa e UDN) decretou iniciado o período de caça aos infiéis ‘bolivarianos’ e à Petrobrás, esta empresa, premiada recentemente, sem recorrer a qualquer tipo de delação, muito pelo contrário, por ter se tornado a excelência que o é, esteve no noticiário diuturnamente, bem como os seus detratores, os deslegitimadores da política, e se você assistir só aos calunistas do consórcio PIG|UDN, pensará que a corrupção ali havida (de fato) só se deu por causa dos ‘bolivarianos’, mesmo que, aqui e acolá, escape do controle da delação premiadíssima que os desmandos ali vêm desde, pelo menos, 1997. Mas isso não interessa aos eternos inimigos do país. Mostrar prêmios auferidos à grande companhia petrolífera, como o “OTC Distinguished AchievementAward for Companies, Organizations, and Institutions”; mostrar que começou no desastre ferroviário do Governo (Sic!) FHC, a série de desmandos, inclusive com a flexibilização do regime de contratação, abolindo a “ineficiente” modalidade de licitação; mostrar a petrolífera tendo tido ganhos de produção constantes, apesar da corrupção interna, a qual precisa, independentemente de qualquer orientação ideológica, ser debelada? Mostrar a rebelião ocorrida no Paraná, por ser o sr. Richa um dos blindados, bem como porque não interessa mostrar trabalhadores defendendo suas bandeiras; fora de cogitação. Isto está totalmente fora dos planos da mídia brasileira. Em compensação, a la Riccupero, o que é bom, a gente publica, o que não é, esquece, o caso HSBC encontra na mídia brasileira silêncio sepulcral. Primeiro, porque muitos ‘não bolivarianos’ estão, certamente, no rol deste escândalo de âmbito mundial, mas que, no Brasil, sequer é cogitado. Quem quiser ler sobre o Caso HSBC, que leia a mídia estrangeira. Ou pigue-se…
Este debate sobre a questão do HSBC, restou claro, não interessa ao sistema putrefato do PIG. Interessa-lhe, bem como aos seus comandados, interditar o país, criar um ambiente onde o Governo Dilma, catatônico, como se encontra, caquético, não tenha condições de governar; deixar o país não ter projeto (a oposição jamais o teve, não é tão difícil assim), sem identidade, sem rumo. Lembre-se de que o PIG é o mesmo sistema midiático que lutou contra o décimo terceiro salário.
Dilma, ora, e Lula, nos seus dois Governos, pagam a conta de subestimar o PIG. Pagam a conta de não entender o sistema corrupto de justiça (caixa baixa intencional) do Brasil. Uma justiça da e para a Casa Grande. Por não terem feito as reformas requisitórias (Judiciário, Comunicação (Lei dos Meios), principalmente) encontram-se, não menos que o país, reféns dos solapadores da Nação. O PIB brasileiro refletirá, fatalmente, este interdito à Petrobrás e ao país, além da crise de água em São Paulo, outro assunto sub-discutido, pois quem causou, irresponsavelmente, a maior crise de gestão de água da história do Brasil não é bolivariano. É um dos nossos, diria o consórcio PIG|UDN.
O problema do Judiciário, malgrado tão urgente quanto a Lei de Meios, é que não adianta vir com desculpas. A estrutura corrompida, putrefata do Judiciário brasileiro remonta ao golpe militar, quando este Poder coonestou os golpes e arrepios jurídicos contra a Nação. Haverá outros coisa-ruim a serviço do PIG. Joaquim Barbosa e Moro, o deslegitimador, ou qualquer outro energúmeno que aparecer, como Quixote, são apenas atores. O controle remoto, como se imaginava, não conteve o PIG. Nenhuma surpresa. As nomeações dos anti-trabalhadores ou pró-mercados não aplacaram o próprio, o deus atual da humanidade. De novo, sem surpresa.
Quando a esquerda brasileira entenderá que não se compõe com o PIG. Que falcões não se bastam de extorquir o país. Parece que nunca. Nunca!
Por fim, eu, você, cidadãos e cidadãs comuns. A nós cabe defender a Petrobrás, mesmo sem Lista do HSBC. Sem nós, as oligo famílias do petróleo a arrastarão. Questão de tempo.

O “Novo Câncer” de Lula, O Velho Jogo Sujo Da Mídia E O Câncer Midiático

Se faltava alguma mensagem para antevermos o jogo [sujo] da mídia mais irresponsável e antinacional da qual se tem nota, a ser “jogado” em 2018, agora não há mais!
Segundo Leandro Mazzini, do Blogue Cidadania, Lula Fez Tratamento Sigiloso E Controlou Novo Câncer!
Diz o blogueiro:

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva combateu de um ano para cá um novo câncer e o controlou, dizem fontes ligadas ao petista. Lula se curou da doença na laringe, mas foi acometido de um câncer no pâncreas, que teria sido descoberto no início de 2014. O ex-presidente passou a visitar esporadicamente o Hospital Sírio Libanês em São Paulo durante a madrugada, entrando de carro pela garagem privativa do corpo clínico para evitar boataria. E tomou um forte medicamento para evitar a quimioterapia.”

Como de praxe, há as fontes e estas jamais se identificam. São, pasmem, médicos e assessores do PT. Surpreendente, não? O Instituto Lula Fez O Desmentido, considerando o descrito pelo blogueiro uma “peça de ficção” e o PT já mostrou sua indignação para com mais esta torpeza, através de Nota, via Internet. Antes fora mera peça de ficção. Mais do que qualquer novela, é um “wishful thinking” eterno da nossa elite e um vislumbre do jogo pesado em 2018 e ainda uma demonstração cabal de quanto o baronato teme e tenta defenestrar de vez a “ameaça Lula”, pois sabem eles que, a esta altura do campeonato, não tem adversário para jogar tête a tête com ele, o Nemesis da direita brasileira.
Acaba de ser reativado, com força total, o “Minha Metástase, Minha Vida”, Programa da elite mais escroque que se conhece. Sabedores de que, no jogo “jogado”, 2018 não conspira (sem trocadilhos).
Aliás, em se falando em câncer, volta-se a se frisar: quando teremos uma mídia nacional? Sem Lei dos Médios, nunca; reformas urgentes. Lei dos Meios, Judiciária e Financiamento Público não são prescindíveis. São, na verdade, inadiáveis.
É como cuidaremos dos verdadeiros cânceres da vida nacional. E sem radioterapia.