Admirável UDN Velha Ou O Esgarçamento do Ordenamento Jurídico

Já no primeiro Governo Lula, alertávamos para a primeira providência, no sentido de sobrepujar as cunhas que a direita brasileira tem colocado, historicamente, como empecilhos a um Governo exterior à casa Grande, relembrando amiúde o fato de que sempre que temos um um Governo trabalhista no Brasil, leia-se, não oriundo e | ou não em prol da Casa Grande, e que, mesmo que beneficie àquela, é prevento a qualquer “usurpador” a simples ideia de uma melhoria, mínima que o seja, das condições de vida da Senzala; falávamos, inclusive, N vezes, sobre a necessidade de propiciar ao povo, em geral, acesso a mídias alternativas. O discurso uno da UDN viria, cedo ou tarde, dizíamos, e a Justiça era a mesma que convivera muito bem com as diversas ditaduras, inclusive a última, a mais desnacionalizante, belicosa e inimiga do país. A de ´64. A reforma Judiciária preexistiria, assim, como condição sine qua non para o país poder processar a enorme mobilidade social ocorrida, sem atropelos e sem “guerra contra a corrupção” (de uns; de outros, pode…).

Admirável Mundo Novo, todos devem saber, é mais uma distopia sobre o futuro da humanidade. Na obra magistral de Aldous Huxley, a humanidade seria “planejada” e controlada por seres “superiores”, os Alfa. Ás outras classes caberia obedecer. Simples assim. Eles eram controlados por repetição em laço de conceitos à hora de dormir (bem à moda nazi, atualíssimo), como forma de condicionamento, e por uma droga, o Soma, que lhes traria o refúgio e a paz dos que nada questionam. Uma sociedade perfeita, por assim dizer… Funcionaria como controle e catarse, ao mesmo tempo.
A história se passa no ano de 753 D. F. (depois de Ford). O entrelace nos nomes Ford e Freud são muito engenhosos. Veja filme e | ou leia o livro. Instigante.

No nosso caso, não precisamos do Soma. Temos a tevê. É a tevê, principalmente, mas não tão-somente, quem nos diz o que é justo e o que não o é e a catarse dos adictos da mídia é o roldão de notícias sobre corrupção, o mesmo mote de ´50 e que atravessa décadas sem qualquer sinal de arrefecimento. Qualquer mudança ideológica no comando do país e os guardiães dos costumes vêm à tona revelar o “mar de lama” (dependendo da tua idade, conheces bem esta expressão…).
Temos, duns tempos para cá, nova drog., digo, catarse. Os vazamentos seletivos. À moda biquíni, onde o importante não é o que é mostrado, e sim o que não o é, a mídia nazi tem “alimentado” os ávidos por novidades, notícias ruins, mundo cão, nunca se viu tanta corrupção, etc., com vazamentos de depoimentos, escutas ilegais, etc. Um dos atores destes vazamentos até menosprezou o fato, alegando nem se lembrar de que estaria cometendo uma ilegalidade, sobre possível grampo comprometedor da soberania do país; ruim, no caso, só o fato de o vilipendiador do ato criminoso ser um juiz.
Isso mesmo. No nosso admirável mundo velho, com UDN velha, discurso idem, mas funcional, graças à letargia da esquerda, as regras basilares do Direito pereceram. Não há mais presunção de inocência, não há mais rito. Nada. É a vontade dos ‘messias togados’ (caixa baixa, por favor) e pronto.
Juiz natural, isenção, ater-se aos autos, coisas vistas e bisadas na soporífera aula de Direito? Esqueça. Os promotores hegelianos dizem quem é o mal, já que eles são a cura, como naqueles velhos e enviesados filmes fascistas estadunidenses e estamos conversados.

Um dos últimos atos desta ópera bufa da nau dos insensatos é a Ordem dos Advogados do Brasil (tudo bem. Tu podes alegar: — “não é a OAB, é apenas uma seccional“) encabeçar a luta pela derrubada de uma Presidente eleita por 54 milhões de eleitores e sem que se apresente um único fato determinante. Triste, quase inacreditável. Não para quem te escreve. Acredites1.
Que falta fazem grandes juristas, como Evandro Lins e Faoro, a nos conduzir à saída desta caverna repetitiva.
Estado de Direito ou Estado da Direita? Os Donos do Poder, de Faoro, nos fornece algumas pistas.
Por outro lado, vamos para a rua. Não está em jogo só um púlpito ou só um gabinete. Está em jogo o Ordenamento Jurídico do país.

1Estudei Direito, até 1992.
Fi-lo durante alguns anos, na Faculdade de Direito do Ceará, UFC. Não colei grau, apesar da tristeza de minha mãe, que, fato comum, queria um filho advogado; ou de qualquer ramo do Direito, que o fora. Eu não. Eu só queria o ‘direito’ à casa universitária e assim que consegui meu primeiro salário, deixei a vaga para alguém que precisasse tanto ou mais que eu. Logo no início, vi que não poderia trabalhar com aqueles conceitos, com aquele ambiente ultraconservador, pois já tinha formação em Educação, e numa greve que houve, onde o C. A. do Direito[!] realizou assembleia, deliberando diferente do restante dos estudantes, pelo não apoio à greve, protestei contra o encaminhamento e levei um soco.
Alguém não concordava comigo mas parecia não ter a mesma eloquência! Nem isso havia sido o bastante, ainda, para eu deixar o curso. Mas, naquela mesma manhã, um outro brigão estava a desafiar um dos que discursavam, com punhos cerrados. Eu que só vira punhos em riste ou mesmo cerrados para mostrar resistência, nunca para bater em quem discordasse de mim. Dali em diante, foi só esperar o primeiro salário… uma longa espera.
Felizmente, o pouco que aprendi na velha e empoeirada Faculdade me permitiu conhecer grandes juristas e grandes correntes do pensamento jurídico, como Kelsen, Platão (sim, estuda-se bastante Platão, no Direito, assim como Marx, Engels e Hegel, já que o Direito tem suas vertentes, sem se confundir com, filosóficas. Alguém faltou às aulas de Filosofia do Direito; ou de Economia…), Ihering e outros.

Retrocesso Institucional. Até Quando?

Passado o sufoco do segundo turno da eleição presidencial, preparávamo-nos para o inexpugnável terceiro turno, aqui e em toda a América do Sul. Só não nos era, penso, possível, então, antever a ferocidade deste, mesmo que as eleições, no Brasil, desde 2010, tenham se tornado mais e mais atrabiliárias, com a direita se tornando, a cada dia, a pitonisa do golpe, fosse qual a modalidade, clássico, ou em sua modalidade mais “moderna”, judiciário, a la Honduras.

Desde aquelas eleições, como dizíamos, a direita “virou a mesa”, com o carteado já distribuído, supõe-se, sabedora do seu desfavor, vindoiro, no jogo. “Convocaram” o então Papa, o bispo não sei d´onde, mandando ao inferno, literalmente, as conquistas, até aqui, do Estado laico. A questão do aborto virou estratégia eleitoral, não funcionando, ao final, para os “ungidos” por estes terem praticado os “crimes” aludidos. Tragicômico, surreal, mesmo no Brasil.
A imprensa mundial tratou também de dar sua contribuição, “despida de qualquer interesse” no jogo, com as revistas da banca internacional entrando de corpo e alma (por assim dizer…) na disputa, sempre de modo “democrático” e “isento”.

Com a chegada (anunciada) do terceiro turno, tivemos um grande retrocesso institucional, no Brasil. Processo, lembre-se, iniciado em 2005, com a pantomima do mentirão, digo, mensalão e afunilado neste último terceiro turno. Os avanços institucionais se diluíram na sanha golpista e nos remete a um passado recidivo. Tudo parece um filme a se repetir.
O divisor de águas da quebra na inflexão federativa que parecia se desenvolver, no Brasil, aparenta ser o caso do Grampo Sem Áudio (sic!). A partir dali, experimentamos, concomitante com um protagonismo espúrio e crescente das instituições que deveriam ser fiscais da Lei ou, no mínimo, zelar pela sua observância (MP[E|F], PF, STF, etc.).

Se Umberto Eco tem razão em dizer que as Redes Sociais empoderaram o imbecil fundamental, no Brasil, terra de extremos, as tais armadilhas digitais deram vez ao midiota mais perigoso de todos, pois além da pouquíssima qualidade educacional, é um tipo que se reconhece historicamente por repelir os rótulos. É um tipo que não aceita ser chamado de golpista. Tanto que criou o malabárico conceito da “Intervenção Militar Constitucional”. Fruto destes tempos rábicos são, por exemplo, as passeatas pedindo o golpe, mas sem golpe, por favor. Mulheres com faixas defendendo o feminicídio (não lhes pergunte o sentido da faixa. Elas apenas estão protestando contra “algo”…); faixas protestando contra excesso de Paulo Freire nas escolas, bem como projetos de lei proibindo doutrinação marxista nos mesmos estabelecimentos! Aqui, a simultaneidade dos protestos e do projeto da direita estragaram a espontaneidade e acontece o mesmo com as faixas portadas pelas mulheres: não pergunte ao midiota portador de tais faixas quem foi Paulo Freire. Uma pergunta destas é uma indelicadeza…

Já em 2013, teve promotor público, pago com o erário, fazendo apologia do crime: Mate um petista e arquivamos o inquérito. Mais direto, impossível. O apologista criminal utilizou o FaceBook, esta máquina de criar lobotomizados, para alardear o seu próprio crime.

Agora, passado o Mensalão, Operação Vaza A Jato, digo, Lava A Jato, temos o desmonte completo da indústria, mormente a de ponta, brasileira, além de a tal de Vaza A Jato só terminar quando o seu títere, o sr. Moro, juiz de primeira instância, mas com poder sobre todo o arcabouço institucional, conseguir o seu intento, que é, de qualquer modo, destruir o PT, a Petrobrás, o Brasil e prender o seu (de toda a direita) inimigo figadal, Lula, o Nêmesis. O que vier primeiro destes eventos.
Os poucos que diziam que a reforma do gangrenado Poder Judiciário seria prioridade, sabiam que esta reforma seria sine qua non. Sem ela não haveria possibilidade de avanço, pois este poder sempre foi o mais recalcitrante a qualquer avanço social e foi o grande coonestador do regime militar.
E também dizíamos que sem educar o povo este mesmo se voltaria contra seus defensores. Só pão, sem educação, nunca funcionou, aqui e nem algures.

A esquerda (pense esta palavra com certa amplitude) brasileira tem grande culpa no nosso retrocesso; em vez de preparar as pessoas, fazia-se omelete no cafofo da serpente. Em vez de incentivar a mídia alternativa, foi-se a rapapés das famílias midiáticas.

Hoje, quando se vê ministra (caixa baixa intencional) do stf (idem) utilizando, ironicamente, motes da esquerda para punir os inimigos da casa grande; quando se assiste à pantomima de ministra (idem!) reconhecendo não haver elementos para condenar, mas, a despeito, ela o faria, quando se vê organização paramilitar dentro do Estado, conspirando contra a Presidente, organizando-se politicamente, com estrutura estatal, em prol do candidato derrotado, instituições estatais mancomunadas com órgãos de imprensa, engajados em causas nada federativas, a esquerda tem de fazer um rotundo mea culpa. Somos partícipes, pela omissão, que o seja, mas o somos.
Quando se vê, idem, ministro de Estado apoiando projetos lesa-pátria da direita, não é tão estranho assim, desde que ele não permaneça. O sr. Levi, ao defender projetos do nefando Serra e de outros inimigos do país, está fazendo o seu jogo. Quem está jogando contra é quem o mantém.

Para não dizer que não falei das flores, vivam os estudantes das escolas públicas paulistas, aqueles que lutam bravamente contra a privatiz., digo, normalização das escolas. Estes, sim. Têm coração valente e desejam uma pátria realmente educadora. Sem “normalização”. Parabéns a estes jovens. Vós sois, de fato, a esperança.

A Operação Lava Jato E O Desmonte Do Brasil

Prisão de Guatanamoro

É sabido que a direita brasileira, historicamente, não tem, jamais teve Projeto de Nação. Elite com interesses espúrios, ‘xenófilos’, antinacionais por definição. À esquerda sempre competiu discutir o Projeto Nacional, com as variações de praxe, mercê das várias correntes ideológicas que se abrigam neste guarda-chuva de sopa de letras. A elite nacional, mesmo considerando uma matiz ideológica menos ‘simpática’ aos nossos algozes de sempre, independentemente do partido, sempre geriu a máquina estatal olhando para a metrópole, nunca considerando nossos próprios e específicos interesses. E em estando no Poder (não necessariamente com este), a esquerda sempre foi hostilizada pela mídia nativa, implacavelmente, atribuindo a qualquer tez trabalhista todas as mazelas do mundo. Sempre que um trabalhista chega ao Poder, no Brasil, abre-se a caixa de Pandora do seu pecado original, da sua incompetência “atávica”, original. Assim, mesmo a esquerda tendo o poder (caixa baixa intencional), por estar, legitimamente, no Poder, normalmente não se progride muito, pois a esta só restaria lutar contra os entraves criados pela mídia anti-trabalhista. A tarefa da esquerda, não por opção, tem sido “arrumar a casa”. É a pequena parte que lhes cabe neste latifúndio.
Após a quarta eleição vencida pelos trabalhistas, contra todas as premissas e pressões midiáticas, é normal que a direita n’ativa, sempre ‘auxiliada’ pelos seus mentores e alteres egos, tenha um ‘projeto’ que não passe pelas urnas. Um projeto de retomada informal do Poder. O conjunto de fatores atuais conspira (sem trocadilhos) para o sucesso da terra arrasada brasileira.
Por um lado, temos São Paulo, Estado que, mesmo no que pese não lhe caber, por ora, o aposto de “locomotiva da Nação”, ainda contribui percentualmente com vultosos e importantes números na composição do PIB. Falta d’água em São Paulo (“escassez hídrica”, no dialeto tucano) trará redução acentuada no indicador citado, é ponto pacífico. A direita, claro, esfrega as mãos, incontinente.
Doutro lado, temos a Operação Lava Jato, coroada de incongruências, remendos, decisões sem amparo no Ordenamento Jurídico, e, pasme, promessa de prêmio para os bandidos (no jargão moronês, delatores). O próprio juiz Moro, se se dispusesse, no país, de um Tecido Jurídico menos corporativista, mais profissional, claro, já teria sido declarado suspeito, por muitos dos seus pares, por várias razões, principalmente pela sua Luta Pela Deslegitimização Da Política, ‘tratado’ escrito em 2004, pelo próprio Moro. A propósito, na Alemanha, década de 30 do século passado, houve um processo de deslegitimização da política. O resto da história é tétrico…
A Operação Lava Jato começa a produzir seus resultados funestos: a Petrobrás, maior empresa brasileira, pioneira em vários campos de prospecção e extração, apesar da mídia inimiga de primeiras horas, tem queda vertiginosa na bolsa de valores. Tem descontinuado projetos de refinarias, exemplos de Ceará e Maranhão, impactando negativamente a criação de inúmeros postos de trabalho, diretos e indiretos, nos Estados afetados. Planejar ali, por ora, parece verbo proibido. As construtoras elencadas nesta Operação, malgrado devam ser punidas as pessoas corrutas (e seus corruptores), estão à beira da falência, como bem devem querer seus concorrentes externos.
Enquanto os povos cearense e maranhense choram as pitangas, o Partido que deveria estar no Poder, via ‘Jânio Quadros de Saias’ faz a única coisa que sabe: se anula, se omite. Espero que A ‘Jânio’ não imite o homem da vassoura às últimas expensas. Esta história é também bastante conhecida.
Bom, eu votei, tu votaste, talvez, em um Projeto e ele não passava nem longe da “deslegitimização da política” e nem pelo desmanche do nosso país. Diferentemente da Grécia, aqui implementa-se o projeto (caixa baixa…) do perdedor. Ah, Σyriza, pairai sobre os nossos Quadros. Meu reino por um Projeto Político para meu país.

O “Novo Câncer” de Lula, O Velho Jogo Sujo Da Mídia E O Câncer Midiático

Se faltava alguma mensagem para antevermos o jogo [sujo] da mídia mais irresponsável e antinacional da qual se tem nota, a ser “jogado” em 2018, agora não há mais!
Segundo Leandro Mazzini, do Blogue Cidadania, Lula Fez Tratamento Sigiloso E Controlou Novo Câncer!
Diz o blogueiro:

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva combateu de um ano para cá um novo câncer e o controlou, dizem fontes ligadas ao petista. Lula se curou da doença na laringe, mas foi acometido de um câncer no pâncreas, que teria sido descoberto no início de 2014. O ex-presidente passou a visitar esporadicamente o Hospital Sírio Libanês em São Paulo durante a madrugada, entrando de carro pela garagem privativa do corpo clínico para evitar boataria. E tomou um forte medicamento para evitar a quimioterapia.”

Como de praxe, há as fontes e estas jamais se identificam. São, pasmem, médicos e assessores do PT. Surpreendente, não? O Instituto Lula Fez O Desmentido, considerando o descrito pelo blogueiro uma “peça de ficção” e o PT já mostrou sua indignação para com mais esta torpeza, através de Nota, via Internet. Antes fora mera peça de ficção. Mais do que qualquer novela, é um “wishful thinking” eterno da nossa elite e um vislumbre do jogo pesado em 2018 e ainda uma demonstração cabal de quanto o baronato teme e tenta defenestrar de vez a “ameaça Lula”, pois sabem eles que, a esta altura do campeonato, não tem adversário para jogar tête a tête com ele, o Nemesis da direita brasileira.
Acaba de ser reativado, com força total, o “Minha Metástase, Minha Vida”, Programa da elite mais escroque que se conhece. Sabedores de que, no jogo “jogado”, 2018 não conspira (sem trocadilhos).
Aliás, em se falando em câncer, volta-se a se frisar: quando teremos uma mídia nacional? Sem Lei dos Médios, nunca; reformas urgentes. Lei dos Meios, Judiciária e Financiamento Público não são prescindíveis. São, na verdade, inadiáveis.
É como cuidaremos dos verdadeiros cânceres da vida nacional. E sem radioterapia.