Golpes Mundo Afora: Venezuela; Instituições Funcionando? Boicotes, Idem?

Com a nova onda de golpes, aqui e algures, é de se pensar que a nova modalidade, com o verniz de normalidade das “Instituições funcionando” (já disséramos, há pouco, que, nos tempos de Jesus, Herodes Antipas; no tempo de Hitler, idem, as instituições estavam funcionando; o fato de Hitler ter feito tudo para seu partido perder, e, literalmente, incendiar o, circo, digo, o Heischtag, diz muito. Quantas vidas se perderam. Quantas se salvariam se as instituições…) veio se firmar ou se teremos, a partir da velha e infalível geopolítica, a supremacia do golpe clássico, militarizado, ou mesmo uma mescla d´ambos.

Nas respúblicas do Paraguai e de Honduras, o neo-golpe, a deposição baseada no “risco de quebra das instituições”! A nova modalidade, por ser sutil, por não haver derramamento de sangue (só, se o for, como “casualidade” ou “causalidade”, leia-se “baixa de guerra”), parece ser o preferido, quando aplicável. Com o apoio maciço da mídia, via de regra “simpática” ao discurso de apelos ético-moral e restaurador, garantidor, institucional, seletivos por sua própria natureza patrimonial, são, por assim dizer, um aliado natural. O outro elo indispensável é o judiciário (caixa baixa intencional). Nos países centrais, esta esfera estatal consegue cumprir, até certo ponto, sua função reparadora, até mesmo por não haver tanta discrepância entre o padrão de vida de um juiz de qualquer instância, na Dinamarca, como exemplo, e um professor universitário (aqui, um juiz, além de muitos privilégios, como inamovibilidade, aposentadoria integral, em caso de demissão, faz parte de uma casta de 1,5% de consumo do PIB. Impensável, num país onde “as instituições funcionam melhor…”). Faltava esta casta na coalizão da nova modalidade golpista. Não falta mais, não é? Não esqueça que, em ´64, no penúltimo golpe, vários Ministros do STF foram para a “reserva”: aposentadoria compulsória. Agora, não foi necessário. Porquê, hein?

Golpe no Brasil. Até ora, um sucesso, fora o desaparecimento dos apoiadores de última hora, vulgo coxinhas. Este pessoal some mesmo, sempre…
Na Turquia, não se viu ninguém no Brasil dizer que “as instituições…”, até mesmo porque funcionaram, diferente do que esperavam. Juizeco de 1ª instância, procurador, quem foi arrolado no golpe pagou. E bem caro. Não que se possa comemorar o recrudescimento do estado recapturado pelo religiosismo (não se confunda com religiosidade. Meu respeito às religiões, mas não abro mão do Estado Laico. Não aceito o retorno medieval como algo bom. Jamais.) nem a proposta de estabelecer pena capital na Turquia ou em qualquer lugar do mundo.
Mas as instituições… bem diversamente do pretendido pelos senhores da guerra.

Agora, a nova praga, digo, praça de democratização, por assim dizer, é a Venezuela. Nova? Sim, nesta modalidade mais sutil, com verniz de normalidade.
Nesta segunda-feira, 1º de Agosto, o Conselho Nacional Eleitoral (o equivalente para nós ao TSE) considerou válida a proposição de um Referendum popular sobre a destituição de [Nicolas] Maduro. Há ainda algumas etapas para os antichavistas chegarem ao poder, e, assim, a exemplo do Brasil, de Honduras e do Paraguai, poderem colocar seus prepostos para o total controle do petróleo, a verdadeira razão de tanta grita moralista. É o petróleo, …

Maduro foi eleito para um mandato até 2019. Mas, lá, como cá, @ presidente se vê ilhado por um parlamento de direita, entreguista (entreguista, mesmo sendo a palavra correntemente aceita, parece não refletir a realidade, pois o “entreguista” é gratificado pela sua entrega), corruto, venal. Poderíamos fazer um transplante de paralamentar e, não fosse o idioma, talvez ninguém notaria.

Se é verdade que a Venezuela enfrenta escassez generalizada de alimentos, vestuário, produtos de higiene, hiperinflação, enfim, um caos, também é verdade que, vendo-a de perto, impossível não evocar o golpe chileno. O boicote aos gêneros alimentícios, patrocinado pelos mesmos de então, corrobora a tese de golpes mistos, o melhor dos mundos, afinal, discurso pela ética, pela moralidade dos gastos, pela higidez na política (como se isso fosse possível, dissociado de educação política) é tão velho quanto os sobas do Continente.

Petróleo, campos aquíferos, geopolítica. Imaginar o cenário de ora até daqui a trinta anos e saberemos que a Amazônia também será vítima da sanha democratizante dos senhores da guerra. E aí, as instituições estarão funcionando, até lá, ou estará tudo dominado?

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