Brasil, O Estado de Direita E A Escolha de Moro

Lula, O Cara (Wikipedia)Conforme dizemos, amiúde, o Brasil é um Estado de Direita (Sic!), e isto remonta à sua fundação. Diferentemente das outras nações sul-americanas, o país foi engendrado no conchavo, à moda dos seus colonizadores. Aqui não houve, como nas outras plagas sulinas, a situação política da camisinha (só desenrolou no cacete!). Isto gera um bocado de situações esdrúxulas, até, diria, anômalas, onde a Casa Grande evangelizou a nação com o sentido determinístico, onde somos perdedores e os homens de toga ou de farda os mandões. Cachorros vira-latas, o nosso complexo inculcado pela Casa Grande e tão bem aceito.

Não poderia ser diferente, em se tratando de paradigmas, tanto da direita nativa quanto da esquerda; ambos têm esta visão, de que o único caminho possível é a composição, o acordo. A direita, como já se falou a cântaros, vem com as costumeiras viradas de mesa e a esquerda, nas poucas vezes em que galga o poder, apela para a mais batida e sansimoniana saída pela governabilidade, ou seja, ambos os lados do espectro político têm o povo como excludente, como não-sujeito.

Do início da era Lula até ora, em pleno processo de golpe midiático-pseudo-jurídico, alertou-se uma pá de vezes que os nossos “irmãos” do Norte não deixariam, ad aeternum, que Lula e o PT continuassem promovendo mobilidade social, pois isto, se não crime, transformá-lo-iam, ad hoc. Dito e feito.

Aquele escatológico momento vivido pelo país, em dezessete de Abril próximo, é só o desaguar de um final anunciado. Triste. Deletério. Razão de chiste do resto das nações. Chacota internacional. Acontece, para nosso total desencanto, que aqueles deputados, se não representam a vós, individualmente, fazem-no no coletivo. A representação política é a fotografia, é o instantâneo da apetência política de um povo. Um povo que deixou o sistema midiático | jurídico do país definir como e quem nos representa (sem citar a força da grana braba do financiamento privado) merece aquele rosário de sandices dos nossos paralamentares. Poderiam só golpear, o que já é, em si, a tragédia da nação. Sem precisar das “justificativas”…

Acontece, queMoro, O Juiz de 1ª Instância Mais Poderoso do Mundo!, qualquer que seja o resultado do golpe hondurenho, ainda não acabou. Para os interessados, daqui e d´algures, o impedimento de Dilma é só parte do processo e nem é o mais importante. A pasmar, sei. Eles precisam impedir, e aqui o sentido não se atém ao jurídico, Lula, o nêmesis. Sem tirar Lula do páreo, qualquer menino do primeiro grau, até mesmo um juizeco de primeira instância, um Moro da vida, sabe que o jogo está perdido. Teremos eleições em 2018 (ou até antes, para deleite da direita) e a elite local e seus fundadores sabem que com Lula é impossível obter sucesso, ou seja, dará, de novo, zebra, digo, jararaca, digo, o Cara.

Acontece que a direita está em um momento crucial. Terá de fazer uma escolha. Não A Escolha de Sofia. Mas a Escolha de Moro (ou de quem lhe cobra resultados, para guisa de exatidão).
Impedir Dilma, com ou sem fato determinante; tendo verdadeiros ciclistas, reis da pedalada, como relatores, redunda em nada, se não prender ou tirar de circulação o Cara!

Foi para isso que foi criada a Operação Lasca PT, digo, Lava Jato. Tanto esforço, tanto dinheiro (de onde, heim?) gasto, tanto estupro ao Direito, o verdadeiro, e perdem a eleição para o Jara, de novo? Impensável (para eles!).

Nas palaEscolha de Sofia - Capa (nonetflix.com.br)vras do próprio Nêmesis da direita, daqui e d´alhures,

se me prenderem, viro herói; se me deixarem solto, viro presidente

Acrescentamos, pois sabemos que há uma terceira possibilidade: evitem criar um mártir. Sois somente golpistas, não obturados doidivanos.
O blogue defende que as eleições presidenciais se deem em seu tempo default. O momento é muito conturbado e ainda estamos contaminados pelos acontecimentos pigais. Não demora muito e, se vier a se concretizar, a tal Ponte para Os Sem Futuro será chá-mate, já virá queimada, cheia de agressões às conquistas sociais de até então. Farão coisas inenarráveis, debaixo desta ponte… Vamos cuidar da educação política das pessoas. Tirá-las da “pedagogia do opressor”. Educação política já, vez que as reformas que deveriam ser feitas não o foram. Deu nisso…

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A Derrocada Do Parlamento, Forças Ocultas E As Eleições De Mentirinha

Dilma - Pronunciamento após o Processo Câmera BaixaO dia 17 de Abril, mês, como diz o escritor, sempre despedaçado, no Brasil, não pode ficar incólume, como se fora um dia qualquer. É o dia da reconquista do Estado. Aconteceu de novo, perante os olhos marejados de uns, estupefatos, d´outros, e extasiado dos perpetrantes do golpe parlamentar-judiciário.
Desta vez, não ficou a Quarta-Frota dos nossos eternos amigos (pior para nós) de prontidão: a nova modalidade de reconquista passa pelo Parlamento e pelo Judiciário. Sem ostensividade. Sutil e eficiente. Sem uma gota de sangue (até porque sangue é vermelho, coisa de comuna…).
Ah, Abril, se não tivessem tanto medo do dia primeiro e de sua má pecha, tu levarias o crédito de ´64. Deixes como está.

A senha para uma votação folgada, segura, naquele simulacro de Processo de Impeachment, veio de Moro, o juizeco de 1ª Instância, nas horas vagas, dublê de corvo, ou de seus eminentes, o que dá no mesmo: a Operação Lasca-PT, digo, Lava Jato, estaria a cerrar as portas, já cumprira sua função; ou seja, votem no golpe, e entre mortos e feridos, todos terão vida longa. Sem qualquer abespinhamento com a justiça (caixa menor intencional). Tentador, não, em se conhecendo a folha corrid., digo, o curriculum da maioria daqueles nossos “representantes”?

A distribuição virtual do butim se deu bem cedo. A imprensa pigal já “vazava” alguns ministeriáveis do novo governo (caixa também intencional. Governo golpista é sempre minúsculo). Só gente conhecida do rentismo brasileiro. Nada de novo sob o front da terra arrasada. “Ventilava”, também, algumas ações do ‘novo’ governo, como a volta da CPMF. Sim, concordo. Com Lula e Dilma este tributo foi infamado. Mas o PIG dá um jeito de tornar as coisas mais ‘palatáveis’, como sempre.

Trabalhando em outra frente, alguns aprendizes de Golbery já correm com novas estratégias salvadoras, como eleições gerais. Segundos estes “gênios”, Dilma teria uma saída elegante, não precisaria mais percorrer à Via-Crucis de nova[s] derrota[s] no Senado nem muito menos no STF. Um plano perfeito, pelo menos para quem tem um banco de vantagens, não é mesmo? Só faltou combinar com os russos, digo, com os vitoriosos, afinal, Temer, o qual acaba de ganhar um mandato-tampão com apenas 367 votos (Dilma, quem manda ser besta, precisou de 54 milhões deles. E, no fim, valeram bem pouco!), não parece tentado a esta aventura às cegas. O mandato via golpe parece lhe bastar.
Dilma, por seu turno, não é de renunciar. Aguentou soco na cara de milicos. Toda a sorte de violência. Não desistiu nem delatou ninguém. Pode-se lhe reputar como incompetente, no sentido político. De não ter caráter, jamais.

Esta proposta, que parece mais uma tentativa de esquentar o golpe, dar-lhe verniz legal, padece de vício de origem. Ora, ontem o Parlamento (ou seria Para Lamento?) disse, nas entrelinhas do golpe judiciário-midiático, que meu voto não valeu. Quem decide são eles. Ponto.
Agora, a população é convocada para votar de novo. Confuso, ineficaz e nem um pingo justificável, sob qualquer ótica, até para um país que precisa se recompor e se sabe que um processo de votação, programado ou extemporâneo, não é barato. Jogaram meu voto “no lixo” e agora me reconvocam para legitimar um golpe, nas urnas? Surreal, mesmo no Brasil.

Dilma, o PT e todas as forças de esquerda devem lutar pela legalidade, pela lisura do processo, inglória ou não a batalha. É mister de quem crê na legalidade ante a violência que manieta o Estado brasileiro, hoje, ontem, sempre. A famosa Mão Invisível ou as Forças Ocultas, como dizia Jânio Quadros.
Aliás, se não proscreverem o PT, afinal para grande parcela dos políticos brasileiros, a Guerra Fria está em pleno vigor, ele, o Partido, volta em 2018, pois a Ponte para o Futuro, considerando que a direita sempre golpeia, depois dá um arranjo, ou seja, não tem projeto de Nação, está mais para pinguela dos sem futuro. Deixa que estes golpistas comecem a la Macri e logo logo o mais parvo dos brasileiros verá que fizeram coisas inenarráveis debaixo daquela ponte dos sem futuro…

Dilma, Lula, esquerda brasileira. Resistamos ao canto da sereia de eleições antecipadas; é a maior fria que já se imaginou. É, idem, corromper, maniatar, mais uma vez, a vontade do povo. É um parlamentarismo trigueiro, acochambrado, arranjado, urdido nas sombras, tornando sem efeito o Plebiscito de ´93, o qual consagrou o Presidencialismo e deixou os golpistas de sempre com uma saída a menos. Eleições só em 2018. Com Lula ou alguém da esquerda com capacidade de amalgamar a vontade do povo brasileiro. Lutar, resistir. Jamais compactuar com os atalhos. Legalidade sempre.