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A Judiciocracia Brasileira E A Operosa NaziPress

Nazipress Brasil

Vivemos cercados de mensagens subliminares, de valores impostos a toque de repetição, como funcionou, e bem, no nazifascismo, o clássico, e tem funcionado, no Brasil, há tempos, desde a década de ´50, ou seja, sempre que teve um trabalhista no Poder, desde Getúlio, passando por JK, Jango e chegando à era Lula, a nazipress brasileira mostrou suas garras e o direito da Casa Grande sempre esteve a serviço desta, para defenestrar os trabalhistas, a qualquer custo. Nunca esqueçam editoriais do O Globo, após o golpe militar, como a manchete garrafal “Ressurge a Democracia” (Sic!) e a luta contra o “atraso” que representava o décimo terceiro salário!

Reporcagem (Isso mesmo, revisor; é reporcagem, mesmo) me chamou atenção, hoje, pela violência simbólica e, claro, pela potencial eficácia de sua mensagem subliminar: esta, assinada por Fernando Diniz, intitulada ‘MPF Diz Que “Corrupção Mata” E Propõe Pena De Até 25 Anos‘ tendo, ao lado, uma imagem de Dilma, a Presidente da Respública. Pergunte-se o que faz a foto da Presidente, ali, e o calunista (de novo, calunista. Especialista em calúnia. Não revise, por favor!) não vai saber dizer algo verossímil, sobre isso. É a mensagem subliminar. É a mentira repetida ad infinitum como no caso do “Livramento de Dilma do Processo”. Dilma nunca foi ‘isentada’, por ninguém, como vários veículos pigais “noticiaram”, pois não havia o menor liame desta ao caso suscitado. Apenas não foi possível jungir seu nome ao esquema, como gostariam. Mas a reporcagem está em todos os sítios limpinhos.
A foto, como se já disse, cumpre, e bem, o feito subliminar. Associa a Presidente à corrupção suscitada na reporcagem; dentro, ao abrir o Elo, ver-se-á que Dilma aponta para outros assuntos, mesmo tendo a mais tênue correlação com este. Mas o intuito foi alcançado.

Interessante, nesta reporcagem é que o MPF não só cuida de assuntos legais, juridicamente falando. Ele propõe uma série de medidas para ‘conter a corrupção’. Mas, resta a dúvida; é o papel do MPF? Onde estão os legítimos legisladores, para isso eleitos? Num período que guarda muita similaridade com a década de ´50, onde as ONGs estadunidenses vinham ao Brasil dizer o que é certo e o que não o é, o MPF, que ainda não disse a que veio, afora sua imiscuição política, deveria ter um pouco mais de resguardo. Mas, por outro lado, que foi, desde os Governos citados, empoderado, porque deveria ter tal parcimônia? Isto é para os fracos, diriam.

Como diz Moniz Bandeira, “EUA Promovem Desestabilização Na América Latina” (eu diria em todo o globo; sempre; mas aí é outra história). Nada novo. Porém, quem deveria dar o Norte, está acuado. Quem há sido eleito, está sendo pautado por quem jamais recebeu um só voto. Que democracia é esta? Vivemos uma neo-judiciocracia, com o recrudescimento do udenismo e do ONGuismo estadunidense. Eles vêm, com suas malas de dólares, comprar os Kruells da vida. Comprar os que ainda não o foram. Cooptar mentes.
Por uma Justiça legítima, impessoal. Sem seletivismo. Justiça só o é, se universal o for.

STF: Decisão Sobre Financiamento Já Está Tomada. Referende-a Já!

Pedido Vistas Doações Privadas

O Direito, no Brasil, desde a vinda das primeiras levas de picaretas serviçais da realeza lusa, sempre foi um instrumento de exclusão, de espoliação e de seletivismo, utilizado não como recurso federativo de arbitramento e de apaziguamento de conflitos, mas como instrumento de consolidação ideológica, a serviço da então nova elite local. Por característica ou defeito de formação da própria sociedade brasileira, este viés requereu, através dos tempos, forte controle da Federação, caso se quisesse, de fato, resgatar o Direito à órbita do Estado. Não é o que tem acontecido. Desde a ditadura militar de 1964, o Poder Judiciário foi mais e mais sendo empoderado, tanto pelos algozes, que precisavam deste ente federativo para coonestar e referendar seus achaques contra a sociedade civil, instaurando uma república (Sic!) excêntrica, com um Poder hipertrofiado, o Executivo (aliás, como se ‘executou’, neste período), outro totalmente, atrofiado, perfunctório, pusilânime, o Legislativo, e o irmão maior deste, o empoderado Judiciário, aquele que covalidava a barbárie de brasileiros contra brasileiros.
Com a restauração, ainda que, dentro de critérios formais, não muito efetivos, da democracia, no Brasil, nenhum governante ousou mexer no vespeiro do Controle do Poder Judiciário. De Collor até hoje, no segundo mandato de Dilma, por razões diferentes, as reformas foram sendo, todas, procrastinadas, tanto por comodismo, conveniência, seja por medo de criar arestas.
Resumo da ópera, temos um dos Judiciários mais seletivos, lenientes e atrasados do mundo. Não se pode conceber que poderia ser diferente, enfim.
Exemplos há aos borbotões da necessidade premente, não hodierna, do Controle do Judiciário.
Desrespeito a princípios basilares do Direito, quando se trata de favorecer seus afáveis, “adaptação” de institutos, como o da Colaboração ou Delação Premiada, discutível, em si e em seu âmbito, tendo, no Brasil, a “idiossincrasia” de premiar criminosos. O Domínio de Fato, utilizado de forma totalmente diversa do seu criador, Roxim, o qual desautorizou totalmente como este vinha sendo “praticada”, no Brasil.
Juízes depositários infiéis, tomando posse de bens dos apenados, dirigindo automóveis caríssimos destes; juízes incitando ódio, violência, apologizando crimes contra a pessoa humana, como o caso daquele promotor que postou que, “se se matassem aqueles bugios, ele livraria o processo, arquivaria os inquéritos” (Sic!). Promotor? De violência? São servidores públicos, mas se comportam, em sua grande maioria, como se fossem seres à parte, mesmo recebendo sua contrapartida salarial do erário. Problema de formação? Quem sabe, mas, com certeza, falta de controle do Estado. São colaboradores da máquina pública e, quando não se comportam como tais, agem à margem do legal. Isto não parece muito tautológico, principalmente para os próprios.

Um dos grandes problemas deste Poder autorregulado é o cumprimento dos prazos processuais. Exemplo lapidar; todos sabemos que o STF estava a julgar a questão da proibição do financiamento privado de campanha política, nas eleições brasileiras, demanda da OAB sobre a Ação Direta de inconstituicionalidade da referida contribuição privada. O resultado apontava para uma vitória [quase] unânime da proibição das doações privadas, quando um dos Ministros daquela Corte pediu vistas (a perder de…) do processo. Tal demanda se arrasta até agora, há mais de ano, sem que se tenha tomado qualquer medida para dar cabo do resultado ou mesmo saber qual seria o voto do Ministro que requerera o pedido de vistas, o sr. Gilmar Mendes. O Regimento Interno do STF prevê o prazo máximo de 30 (trinta) dias para o pedido de vista, sendo que, após este primeiro pedido, a prorrogação é possível, com fundamentação. Mas, pasme, não há qualquer punibilidade para quem retiver os autos e estancar o andamento da votação.
No caso cito, o voto do Exmo. sr. nem é mais necessário, posto que se já o depreende. Mas é necessário fazer valer a vontade da maioria, a qual, como se sabe, já decidiu pela constitucionalidade da Lei. Fazê-la viger. Urge. O Brasil não pode continuar refém dos “compradores de parlamentares”. Precisamos aperfeiçoar as instituições, reformar o Judiciário. A resposta ao clamor das ruas, por mudanças, é eliminarmos, de antemão, o que é, sabidamente, lesivo à sociedade brasileira. Já há Petição “On Line”, exigindo do STF a conclusão da ADI do financiamento privado.
Então, não falta mais nada, a não ser o próprio Colegiado Supremo decidir e confirmar a decisão já tomada por seis votos a um. Não tomar posição, por causa de um pedido sorrateiro de um dos seus membros é atentar contra o próprio país e contra si, tornando temerária a confiança popular no Egrégio Colegiado. Tomemos a decisão agora, senhores do STF.

Para aprofundar:
A Irrelevância do Regimento Interno do STF
Pedidos de Vista Atrasam Processos No STF Em média Por Um Ano, Diz FGV
Após Mais de Hum ano, Mendes (STF) Diz que Cabe Ao Congresso Decidir Sobre Financiamento de Campanha

Dilma, Dia 13, Vamos Ás Ruas. Coração Valente, Vem Com A Gente!

Dilma Roussef EleitaEm 2008, em roda de amig@s, regada a cerveja e, claro, muita discussão, sobre tudo, mormente sobre política, começáramos a discutir a sucessão de Lula, discussão ainda contaminada pela “isca” da direita, que não parava de instigar Lula a “venezuelizar” a sucessão, revirando a virada de mesa da reeleição e amealhando mais um (e quem sabe outros) mandato[s]; Lula, claro, sabiamente repelia os acenos da direita, tanto por respeitar as regras de então, como por saber se tratar do álibi para o golpe judiciário da direita n´ativa. O nome de Dilma Roussef foi evocado, por mim, ante a estupefação de todos. Quem era esta? Ninguém a conhecia. Eu havia lido, em sítios “limpinhos“, sobre a preparação de Dilma, pelo próprio, para o embate, não sem ter que suportar a graça dos calunistas, dizendo, via de regra, que, desta vez, os trinta por cento históricos do PT poderiam não se concretizar, dada a falta de consistência da candidatura.

A partir daí, já conhecemos os meandros que a levaram a ser a primeira mulher eleita Presidente da República brasileira (e a ser reeleita, graças a este câncer institucional chamado reeleição, obra da UDN, Secção brasileira, FHC, CEBRAP, IBAD, etc.). A partir do início do jogo sucessório do primeiro mandato, até a campanha propriamente dita, conheceu-se aquela Dilma estereotipada pela direita e pela coalizão que a elegeu: a terrorista, com ficha falsa e tudo,  e a “guerreira”, como a coalizão a vendeu à opinião pública.

Mas, afinal, quem é mesmo Dilma Vana Roussef. É terrorista, é guerrilheira, guerreira, coração valente, Estela, Wanda? Todos; nenhum dos vocativos lhe cai bem?

Com o país envolto no mais acirrado dos terceiros turnos, com a oposição ciosa de uma brecha, de qualquer natureza, para pegar um atalho e voltar ao controle do espólio estatal, seria uma boa hora para a Dilma verdadeira aparecer; não aquela caricatura de Presidente que, no Dia Internacional da Mulher, que fez de tudo, menos Política (caixa intencional), não se sabe se de forma autóctone ou reverberando as ideias dos seus presumíveis oráculos, e, como um elefante numa piscina, entornou tudo, literalmente. Um desastre comunicativo, com perdão da licença poética.

Presidente Dilma, ficou patente que a estratégia de se esconder, como avestruz, só agravou tudo, só mostrou aos abutres a sua tibieza. E os predadores detectam o menor fraquejo e miram, sempre, os mais fracos. Tem sido assim sempre. Qual a parte que a Presidente, democraticamente (em termos: imiscuição de atores espúrios na eleição estão aí, tanto o capital quanto a violência simbólica da mídia hegemônica, a céu aberto) eleita pela maioria do nosso país, bem como suas eminências diáfanas, não entenderam, ou entenderam e este é o jogo? Saia da toca, coração titubeante. Faça Política, pois só a Política pode resolver sequelas da política e da Política.

Muitos cavalos encilhados passaram, mas há ainda tempo, pois nunca é tarde para quem quer mudar. Comecemos com uma boa reforma ministerial. Este Ministério, que fora o primeiro capitular para o PIG e para os interesses exógenos, não vai resolver. Vamos tirar os Levys e os quintas, que todos conhecem. Vamos compor com Ciro, Wagner, Genro, Requião e outros do campo dos que amam e lutam pelo bem deste honorável país. Vamos para a rua; vamos encampar a luta com o povo. Conversar com as pessoas. Desautorizar as mídias globais da vida a criar insegurança institucional e a colocar o povo contra as próprias conquistas advindas dos Governos populares. Informar. Contrapor.  Fazer as reformas eternamente adiadas. A hora é esta e o prazo está se esvaindo.

Dia 13, estaremos na rua, em defesa da Petrobrás e do Estado brasileiro. Queríamos muito que a Coração Valente estivesse conosco. Mas, iremos. Ponto.

Por fim, relembro a parábola da águia que fora criada como galinha. Com qual destes arquétipos a sra. Estela quer ser lembrada pela história, Dona Dilma?

A Mídia, A Petrobrás E A Interdição Do Brasil

Fonte: TopGyn

Desde antes do início do terceiro turno, redundando naquela capa infame da famigerada Veja, quando a oposição ao Brasil (imprensa e UDN) decretou iniciado o período de caça aos infiéis ‘bolivarianos’ e à Petrobrás, esta empresa, premiada recentemente, sem recorrer a qualquer tipo de delação, muito pelo contrário, por ter se tornado a excelência que o é, esteve no noticiário diuturnamente, bem como os seus detratores, os deslegitimadores da política, e se você assistir só aos calunistas do consórcio PIG|UDN, pensará que a corrupção ali havida (de fato) só se deu por causa dos ‘bolivarianos’, mesmo que, aqui e acolá, escape do controle da delação premiadíssima que os desmandos ali vêm desde, pelo menos, 1997. Mas isso não interessa aos eternos inimigos do país. Mostrar prêmios auferidos à grande companhia petrolífera, como o “OTC Distinguished AchievementAward for Companies, Organizations, and Institutions”; mostrar que começou no desastre ferroviário do Governo (Sic!) FHC, a série de desmandos, inclusive com a flexibilização do regime de contratação, abolindo a “ineficiente” modalidade de licitação; mostrar a petrolífera tendo tido ganhos de produção constantes, apesar da corrupção interna, a qual precisa, independentemente de qualquer orientação ideológica, ser debelada? Mostrar a rebelião ocorrida no Paraná, por ser o sr. Richa um dos blindados, bem como porque não interessa mostrar trabalhadores defendendo suas bandeiras; fora de cogitação. Isto está totalmente fora dos planos da mídia brasileira. Em compensação, a la Riccupero, o que é bom, a gente publica, o que não é, esquece, o caso HSBC encontra na mídia brasileira silêncio sepulcral. Primeiro, porque muitos ‘não bolivarianos’ estão, certamente, no rol deste escândalo de âmbito mundial, mas que, no Brasil, sequer é cogitado. Quem quiser ler sobre o Caso HSBC, que leia a mídia estrangeira. Ou pigue-se…
Este debate sobre a questão do HSBC, restou claro, não interessa ao sistema putrefato do PIG. Interessa-lhe, bem como aos seus comandados, interditar o país, criar um ambiente onde o Governo Dilma, catatônico, como se encontra, caquético, não tenha condições de governar; deixar o país não ter projeto (a oposição jamais o teve, não é tão difícil assim), sem identidade, sem rumo. Lembre-se de que o PIG é o mesmo sistema midiático que lutou contra o décimo terceiro salário.
Dilma, ora, e Lula, nos seus dois Governos, pagam a conta de subestimar o PIG. Pagam a conta de não entender o sistema corrupto de justiça (caixa baixa intencional) do Brasil. Uma justiça da e para a Casa Grande. Por não terem feito as reformas requisitórias (Judiciário, Comunicação (Lei dos Meios), principalmente) encontram-se, não menos que o país, reféns dos solapadores da Nação. O PIB brasileiro refletirá, fatalmente, este interdito à Petrobrás e ao país, além da crise de água em São Paulo, outro assunto sub-discutido, pois quem causou, irresponsavelmente, a maior crise de gestão de água da história do Brasil não é bolivariano. É um dos nossos, diria o consórcio PIG|UDN.
O problema do Judiciário, malgrado tão urgente quanto a Lei de Meios, é que não adianta vir com desculpas. A estrutura corrompida, putrefata do Judiciário brasileiro remonta ao golpe militar, quando este Poder coonestou os golpes e arrepios jurídicos contra a Nação. Haverá outros coisa-ruim a serviço do PIG. Joaquim Barbosa e Moro, o deslegitimador, ou qualquer outro energúmeno que aparecer, como Quixote, são apenas atores. O controle remoto, como se imaginava, não conteve o PIG. Nenhuma surpresa. As nomeações dos anti-trabalhadores ou pró-mercados não aplacaram o próprio, o deus atual da humanidade. De novo, sem surpresa.
Quando a esquerda brasileira entenderá que não se compõe com o PIG. Que falcões não se bastam de extorquir o país. Parece que nunca. Nunca!
Por fim, eu, você, cidadãos e cidadãs comuns. A nós cabe defender a Petrobrás, mesmo sem Lista do HSBC. Sem nós, as oligo famílias do petróleo a arrastarão. Questão de tempo.

Rosa Parks: Não Ao Etnicismo. O Mundo Nunca Mais Seria O Mesmo

Imagine um lugar onde há restaurantes com acesso exclusivo para brancos; bebedouros separados para os brancos e para os “coloridos”, os de cor. Em alguns Estados, neste mesmo país, o negro não poderia jamais pesquisar em uma biblioteca ou estudar em escola para brancos. Foi neste ambiente que veio ao mundo Rosa Louise McCauley, em quatro de Fevereiro de 1913, Tuskegee, Alabama, ou, para os íntimos, Rosa Parks. 1º de Dezembro é o seu dia, dia este comemorado concomitantemente na Califórnia e em Ohio. Não só pelos nomes dos Estados [con]Federados, dá para ver que não se trata do Brasil. Falamos sobre os Estados Unidos da América. Lá, o preconceito étnico é institucional. Como se trata de uma Federação, os seus Estados-Membros podem, como se sabe, ter leis diferentes, aplicáveis só na sua Jurisdição. Aqui, temos preconceito? Sim, mas de forma sutil, escamoteada, difusa. Se se pode elogiar algo (não a segregação, claro) nos Estados Unidos, com relação a esta odiosa segregação social, é o fato de eles, pela sua formação diferente da nossa, não jogarem para baixo do carpete seus demônios. Rosa Parks tem este dia em sua homenagem; e o porquê disto? Foi neste dia que o motorista James Fred Blake admoestou a costureira Rosa Parks a ceder o lugar no ônibus a um branco. Rosa Parks disse não. Imediatamente, James Blake acionou a polícia. De acordo com a Lei Civil, o motorista poderia determinar o local dos passageiros, por critério étnico. Ali, com a recusa de Parks em ceder seu lugar ao passageiro branco, a cadeia de eventos desaguaria no Boicote Ao Sistema de Ônibus de Montegomery e seria o estopim da luta pela igualdade étnica nos Estados Unidos e em todo o mundo, vez que o preconceito existe algures e, via de regra, é escamoteado.
Pois sim. O movimento de boicote iniciado pela valente Parks se iniciou neste ilustre dia e prosseguiu até Vinte de Dezembro de 1956, quando a Suprema Corte dos Estados Unidos declarou inconstitucionais as leis segregacionistas em ônibus do Alabama e, claro, de Montegomery. Claro que Parks sofreu inúmeras represálias, por sua postura insubmissa, mas foi em frente. Teve de se mudar, pois não conseguia trabalho no Alabama (naquele tempo, mais do que nunca, oferecer trabalho a uma “negra rebelde” era o mesmo que colaborar). Um dos maiores líderes do boicote ao sistema viário do Alabama era o grande ativista dos direitos civis Martin Luther King, autor do eminente discurso Eu Tenho Um Sonho.
A partir da luta de grandes líderes, como Luther King, Parks e Malcolm, o X, os Estados Unidos começaram a rever suas leis segragacionistas, de inspiração sulista.

 “Servimos Gente de Cor. Porta dos Fundos”.
BuzzFeed, via PapoDeHomem.

Leis que impediam negros de votarem e serem votados pereceram. Mas muito sofrimento humano foi necessário. Marchas pacíficas, com pessoas sendo massacradas pela polícia, eventos que culminaram na Marcha à Capital, quando Luther King conseguiu reunir vinte e cinco mil manifestantes, obrigaram o Executivo Federal a recuar e permitir o direito ao voto dos estadunidenses afrodescendentes.
Parks recebeu a comenda Medalha de Ouro do Congresso, com a inscrição “Mãe do Movimento dos Direitos Civis dos dias atuais“, das mãos do Presidente Clinton, em 1999.
Muita coisa mudou a partir daquele gesto, aparentemente anódino, de Parks; se ela, Malcolm, Luther King, tinham sonhos, dentre outros, partiram estes sem ver os Estados Unidos elegerem o primeiro Presidente afrodescendente, além de muitas outras mudanças e de muitas que ainda advirão, necessariamente.
James F. Blake, o motorista do ônibus, logo após a prisão de Parks, afirmou, dando de ombros:

Eu não fiz nada com Sra. Parks, a não ser meu trabalho. Ela violou o Código de Conduta do Condado, então, o que eu haveria de fazer? [Eu] tinha ordens a cumprir.

Ela, la Parks, afirmou, um dia:

Nunca tenha medo quando o que você está fazendo é o correto.

Certo. James tinha ordens a cumprir. Parks idem (ceder o seu lugar a um “superior”). Com uma diferença: Rosa Parks ousou dizer não. E nada, nunca mais, há sido como antes.

Atentado Ao Hebdo, Na França. Quem É Mesmo O Intolerante?

Charlie Ebdo Charge

Charlie Hebdo – “O Corão é uma M…”. Fonte: Terra (Reprodução)

O mundo assiste, estarrecido, ao atentado à Charlie Ebdo. Tal estupefação, supõe-se, se dá pelo ato em si, pelo número de vítimas e pela sensação [crescente] de insegurança que cada ato desta natureza nos incute. E também porque tendemos a repudiar toda forma de violência, quando explícita. Já alegar surpresa não soaria sequer honesto ou verossímil.
O caldo de cultura crescente da “Guerra Ocidente X Bárbaros“, como apregoam, com a sutileza de um símio em louçaria, os senhores da guerra, começou bem antes. É só o desenrolar de um processo de cizânia artificial, sintética, fabricada, da “A América”, ou “Ocidente”, X “Os bárbaros”, “Retrógrados”, mas que serve muito bem a quem precisa da guerra por lucro e, claro, por poder global.
Remonta a séculos, na verdade. Quem são mesmo os “atrasados”? O mundo árabe nos deu importantíssimas contribuições via literatura, ciências, exemplo de matemática (na verdade, fazer uma conta nos é bem mais simples, hoje, do que se a fizéssemos utilizando algarismos romanos, como o era antes das famosas viagens de Fibonacci ao Oriente), astronomia, navegação, idem. O mundo “civilizado”, “culto”, veio a conhecer os algarismos arábicos por causa da curiosidade do italiano  Fibonacci, que nos os apresentou, e, como joia da coroa, o Zero, a maior das abstrações na matemática ocidental; Fibonacci teve que viajar até a Índia e parte da Arábia para nos apresentar o conceito (o símbolo e o seu significado abstrato). O mundo mudou, desde então. Um símbolo mudou a maneira de realizarmos cálculos e redefiniu a diferença entre nulo e inexistente. Informática, religião, filosofia, etc., têm noções diferentes de nulidade e de inexistência graças aos indianos e parte do então mundo árabe, o que, séculos atrás, lhes parecia ‘natural’.
Esta guerra da “A América”, “O Ocidente”, X “Os bárbaros”, como os E. U. A. e seus satélites querem que pensemos, é um imperativo por novos territórios demarcados, na geopolítica e nos recursos naturais, óbvio. Usualmente, quando ocorrem estes atentados, alega-se intolerância. Mas, quem é mesmo o intolerante? Eles, os “civilizados”, vêm tripudiando da fé dos islamitas faz tempo. Considere-se também que nem todo islamita é fundamentalista. Infelizmente, alguns “terroristas” (não, os reacionários do “Ocidente” não são terroristas! São “Mudernos“.) acabam fazendo o jogo deles.
Acabam dando estofo à alegação de que são [todos eles] fundamentalistas, violentos, retrógrados, e, claro, terroristas. Quem promove terrorismo de [des]informação, quem massacra com violência simbólica, como classificar?

Liberdade de Imprensa? O que é liberdade?

O mundo “civilizado” trombeteou, em unânime, ser este atentado não só à magazine, mas à liberdade de imprensa. Quem viu os líderes na tevê, leu na prensa ou na Internet, até pensava se tratar de discurso combinado. E o é, de certo modo. Na mídia nativa, a mais escroque deste sistema solar, digo sempre, apregoou-se que o que fizerem na França seria como se eles matassem chargistas brasileiros, com exemplos. Furto-vos de reproduzir quais. Alegou-se, com cinismo caricato, que a Charlie é plural. Sim. Como o é a mídia brasileira. A magazine fazia 10 (dez) charges de tripudiação a “ocidentais” e trezentos (300) com os “bárbaros”; aqui, onde o ‘pluralismo’ também reina, o Manchetômetro Registrou 18 Capas Pró-Dilma; 234 Contra. Pluralismo. Aqui como lá. Pois sim. Liberdade é algo absoluto? [Temos o] Direito de insultar as crenças do outro? A nossa Presidente, acertadamente, repudiou o atentado aos chargistas. Discordo do que disse, porém, no que tange à “liberdade de imprensa”:

Esse ato de barbárie, além das lastimáveis perdas humanas, é um inaceitável ataque a um valor fundamental das sociedades democráticas – a liberdade de imprensa…

Estes atentados não são, como analisou, penso e reitero, equivocadamente, nossa Presidente, “um atentado à liberdade de imprensa”. São um atentado ao direito do outro de pensar diferente. Eles “O Ocidente”, são tão ou mais intolerantes quanto fora a Inquisição. Ou seja, temos o direito de pensar igual a eles, os “mudernos“, para não sermos massacrados. Simples assim. Onde já se viu? Pensar diferente? Se são um atentado, o são ao próprio limite que a imprensa se consegue não impor. Meu pesar pelas pessoas mortas. Lamento por elas e pela intolerância (d´ambos os lados). Mas pelo que consigo conceber como ‘liberdade’, soa bem desonesto. Mas, se tu achas que liberdade é bem mais que uma calça azul e desbotada, hás de conceber também que a liberdade é cara demais para ser confundida com direito de tripudiar da visão de mundo do outro. Aliás, a liberdade de imprensa, mormente no Brasil, funciona como uma máquina financiada pelo poder público, para assassinar reputações e consciências. Fábrica de coxinhas. Não é esta a minha liberdade. Esta máquina de moer reputações, inclusive de quem lhe financia, não é liberdade. Liberdade PRN! Privei, poupei a nós todos de outras charges “pluralistas”, como aquela que mostra (supostamente) Maomé de bruços e com um trocadilho infame, impublicável; quem quiser vê-las, os Motores de Busca as têm à profusão . Observe-se que o hebdomadário tem o vocativo “Jornal Irresponsável“, na sua capa. Precisa dizer mais?